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Fim de El Niño e início de La Niña: Como será o clima em 2024?

Especialistas contam como o clima será afetado pela ação do fenômeno

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 14 de janeiro de 2024 - 12:33
El Niño incide sobre o clima até abril, onde atinge seu pico
El Niño incide sobre o clima até abril, onde atinge seu pico -

A conjunção de fenômenos naturais e mudanças nos padrões climáticos está prestes a apresentar desafios significativos para a população brasileira ao longo deste ano. Em entrevista ao Metrópoles, especialistas indicam que os próximos meses serão caracterizados por elevadas temperaturas e alterações nos regimes de chuva em algumas regiões, resultado do término do El Niño e do início da La Niña.

O ano anterior foi marcado por extremos climáticos, majoritariamente associados à presença do fenômeno natural El Niño, que ocasionou o aquecimento das águas do Oceano Pacífico. Em 2023, o Brasil testemunhou uma seca histórica no Norte e inundações em diversos estados do Sul, além de outros desastres naturais.


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De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU), espera-se que o El Niño perdure até meados de abril deste ano, alcançando seu auge nesse período. Os meteorologistas projetam que o segundo semestre de 2024 será marcado pela iminência da La Niña, que provoca o resfriamento das águas do Oceano Pacífico.

No Brasil, esse fenômeno climático resulta em chuvas intensas nas regiões Norte e Nordeste, ao passo que o Sul experimenta calor e seca. Francisco Aquino, chefe do Centro Polar e Climático da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), alerta para um período de neutralidade antes da transição do El Niño para La Niña. Ele destaca que isso implicaria em chuvas mais regulares e temperaturas normais para o inverno no Brasil.

“A neutralidade significaria dizer que a gente teria chuvas mais regulares em temperaturas dentro da normalidade para o inverno no Brasil. Vamos dizer que na região Sul tem chuva e temperaturas amenas, enquanto teria a redução da precipitação entre o Centro-Oeste, o Pantanal, o sul da Amazônia”, afirma Francisco Aquino.

Contudo, Aquino ressalta que, devido às crescentes mudanças climáticas, a definição desse período de neutralidade pode não ser tão clara, podendo afetar os índices de chuvas ao longo do ano. A expectativa de neutralidade, conforme explica, seria ter temperaturas amenas para a época do ano (inverno) em Brasília e no Centro-Oeste, acompanhadas por uma estiagem típica, mas não severa como nos últimos anos.

“A expectativa de neutralidade pensando em Brasília, no Centro-Oeste do Brasil, seria ter temperaturas amenas para esta época do ano [inverno], como o esperado, e obviamente um período de estiagem típica, não uma estiagem severa como aconteceu nos últimos três, quatro anos”, complementou.

O professor da UFRGS também destaca que os efeitos da La Niña no Brasil devem começar a ser percebidos no início da primavera, em setembro, com a tendência de seca no Sul e chuvas intensas no Norte, conforme aponta Karina Lima, doutoranda em climatologia.

Em relação às altas temperaturas, um relatório do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus da União Europeia, divulgado recentemente, revela que a temperatura de 2023 superou em 1°C o nível pré-industrial estabelecido entre 1850 e 1900. Esse documento destaca ainda que durante metade do ano passado as temperaturas ultrapassaram 1,5°C.

Karina Lima enfatiza que, independentemente do El Niño, o aquecimento global persiste, aumentando a frequência e intensidade de eventos extremos em um mundo mais quente.

“É importante ressaltar que independente do El Niño, o aquecimento global continua aumentando e sabemos que em um mundo mais quente, a tendência geral é de aumento de frequência e intensidade de eventos extremos”.

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