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Julio Cocielo pode ser condenado por crime de racismo

Processo estava em sigilo de justiça até dezembro de 2023, quando foi tornado público a pedido do Ministério Público Federal

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 04 de janeiro de 2024 - 10:33
Julio Cocielo é casado com Tata Estaniecki, que também já foi acusada de racismo por internautas
Julio Cocielo é casado com Tata Estaniecki, que também já foi acusada de racismo por internautas -

O youtuber Julio Cocielo teve seu processo por racismo tornado público em dezembro de 2023 pela Justiça Federal. O influenciador foi processado após publicar mensagens supostamente racistas em seu perfil no X (antigo Twitter) contra o jogador Kylian Mbappé.

Em 2018, durante a Copa do Mundo, Cocielo comentou em seu X que "mbappé conseguiria fazer uns arrastão top na praia hein", e a publicação deu início a ação movida contra o humorista. No entanto, outras postagens com teor racista feitas no período de 2011 a 2018 foram encontradas na mesma página.

Em um dos tweets adicionados ao processo, Cocielo diz que "o brasil seria mais lindo se não houvesse frescura com piadas racistas. mas já que é proibido, a única solução é exterminar negros". No total, nove publicações com teor de preconceito racial. 


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A repercussão negativa fez com que o marido de Tatá Estaniecki apagasse cerca de 50 mil publicações da sua página. Além disso, o influenciador postou um pedido de desculpas.

O processo está em fase final em primeira instância, pronta para o julgamento. Cocielo pode receber uma pena de até cinco anos de prisão. O fato dos comentários terem sido feitos em rede social é considerado um fator agravante.

O MPF acredita que a mensagem mostrou que ele tinha intenção de praticar o crime a partir do momento que postou os comentários nas redes sociais.

"Ainda que o réu seja humorista, não é possível vislumbrar tom cômico, crítica social ou ironia nas mensagens por ele publicadas. Pelo contrário, as mensagens são claras e diretas quanto ao desprezo do réu pela população negra”, disse o procurador da República João Paulo Lordelo, responsável pela ação do MPF. "Não é humor, é escárnio", afirmou.

Em 2018, na época em que o comentário sobre o jogador francês foi feito, Cocielo perdeu patrocínio de empresas como a Coca-Cola, Itaú e Submarino. A Coca-Cola, em nota, afirmou que havia rompido o vínculo com o criador de conteúdo e não pretendia voltar a ter parceiras com ele. 

Já o Itaú, também por meio de nota, informou que "repudia toda e qualquer forma de discriminação e preconceito". No período, seis anos atrás, uma peça publicitária do banco com o influenciador circulava, e foi substituída. 

Cocielo publicou um vídeo se desculpando pelo ocorrido em seu canal no Youtube, o Canal Canalha, e disse que não possuía noção da gravidade do comentário e não tinha intenção de reforçar estereótipos racistas. "A gente só precisa prestar atenção nas estatísticas. Por exemplo, muito negro morre sendo confundido com bandido. (...) A gente só precisa se informar. No meu caso, a minha ignorância foi combatida com conhecimento”, afirmou o youtuber. 

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