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Depois do 'gatonet': moradores de SG são coibidos a assinarem internet com operadora do crime

Segundo os moradores, cabos da internet são cortados em plena luz do dia e, sem opção, precisam assinar com operadora clandestina

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 19 de outubro de 2023 - 13:38
A imposição da internet 'autorizada' pelo crime local tem se tornado prática comum em vários bairros de São Gonçalo
A imposição da internet 'autorizada' pelo crime local tem se tornado prática comum em vários bairros de São Gonçalo -

Desta vez, são os moradores da Rua Jaime Figueiredo, a famosa “Rua da Caminhada”, no bairro do Patronato, em São Gonçalo, que têm enfrentado dores de cabeça após os cabos de internet da rua terem sido cortados por criminosos. Desde o dia 11 de outubro, a região está sem acesso aos serviços de grandes operadoras, tendo como opção apenas uma suposta operadora "autorizada" pelo crime local. No entanto, este não é um caso isolado.

Segundo relatos, no dia 11 de outubro, por volta das 16h, dois homens de uma suposta empresa clandestina subiram em diversos postes da rua e cortaram os cabos de internet. Desde então, a rua está sem acesso ao serviço, e moradores têm contado com a ajuda de familiares e amigos de outras áreas, para conseguirem trabalhar, estudar e se conectar às redes.


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A notícia da nova "operadora" da região circula entre os próprios vizinhos, pois por necessidade, muitos têm buscado uma solução rápida para o problema. Porém, mesmo com essa necessidade, a maioria tem optado por não assinar com o plano imposto pelo crime, por medo de que esses "funcionários" entrem em suas residências para realizar as instalações.

Casos como o da Rua Jaime Figueiredo não são incomuns para quem mora no estado do Rio de Janeiro, que de acordo com dados fornecidos ao OSG pela Conexis Brasil Digital, apenas no primeiro semestre de 2023, 71.484 metros de cabos foram roubados. Esse número é 55,8% menor em relação ao primeiro semestre de 2022, quando foram 161.751 metros roubados ou furtados, e de 39,8% na comparação com o segundo semestre de 2022 (118.726 metros). No entanto, o estado enfrenta uma situação ainda muito delicada, devido ao bloqueio de acesso das equipes das prestadoras, para a manutenção de seus equipamentos, usados para a prestação do serviço.

Sobre o caso no Patronato, a empresa, que é representante de uma das operadoras que teve seus cabos cortados na Rua Jaime Figueiredo, respondeu:

"O furto, roubo, vandalismo e também a receptação de cabos e equipamentos causam prejuízo direto a milhões de consumidores todos os anos, que ficam sem acesso a serviços de utilidade pública como polícia, bombeiros e emergências médicas. Em alguns estados o problema do roubo e vandalismo de cabos, geradores, baterias, entre outros equipamentos, se soma ao bloqueio de acesso das equipes das prestadoras para a manutenção de seus equipamentos, usados para a prestação do serviço. As operadoras ficam sem acesso aos equipamentos e impedidas de dar a manutenção necessária à prestação do serviço, assim como para a eventual substituição dos itens roubados. Já os consumidores ficam reféns, privados dos serviços ou obrigados a contratá-los de empresas ilegais, controladas pelo crime organizado, sem quaisquer direitos, garantias e sujeitos a preços abusivos. O setor de telecomunicações defende uma ação coordenada de segurança pública envolvendo o Judiciário, o Legislativo e o Executivo, tanto o federal, quanto os estaduais e municipais, e a aprovação de projetos de lei que aumentem a punição para esses crimes e ajudem a combater essas ações criminosas".

De acordo com moradores, essa é a primeira vez que um caso como este ocorre na rua citada, e que apesar do patrulhamento rotineiro de agentes da Polícia Militar, os criminosos pareceram não se inibir com a possibilidade de serem flagrados.

O caso será investigado pela Polícia Civil.

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