Após horas de interdição, Conselho de Turismo cobra 'solução' para a BR-101
Condutores ficaram horas parados por conta de acidente da rodovia, que enfrenta problemas com concessão

Depois de passar cerca de horas interditada por conta de um acidente, a rodovia BR-101 virou tópico de um ofício enviado nesta quarta-feira (01) pelo Conselho de Turismo da Costa do Sol (Condetur) à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O documento cobra uma “solução” e pede que a Agência traga um novo investidor para a concessão do empreendimento.
O trecho da rodovia que garante acesso aos municípios da chamada Costa do Sol era gerido pela Arteris Fluminense, que optou por não continuar como concessionária da rodovia. Marco Navega, presidente da Condetur, explica que essa dificuldade na administração atrapalha o turismo na região porque amplifica problemas como o que aconteceu na tarde da última terça (28), quando um caminhão-tanque tombou no km 268, na altura de Rio Bonito.
“Nós somos servidos pela BR-101, pela 493, pela Via Lagos. Essa rodovia, a BR-101, ela já está caótica há algum tempo, não é de hoje que ela traz alguns problemas para a gente. Infelizmente, a concessão foi descontinuada, a rodovia está ‘sem dono’, podemos assim dizer”, explica o presidente.
No caso do acidente de terça, por conta de um vazamento de combustível no veículo, ambos os sentidos da via ficaram fechados do momento do acidente, que aconteceu por volta das 15h46, até o fim da noite, às 22h30. Mesmo durante a madrugada e a manhã desta quarta (01), partes da via seguiram fechadas por conta do vazamento, ocasionando em um intenso congestionamento na região.
Uma das muitas pessoas que ficaram presas na via foi Gislane Tavares, de 48 anos, que voltava de Búzios com o marido no sentido Niterói quando foi surpreendida pelo congestionamento. A princípio, eles sequer tinham ideia do que havia ocasionado o problema. “Nós não tínhamos divulgação. Nós não vimos a concessionária fazer divulgação nenhuma sobre o que tinha acontecido. Consultando depois o Twitter eu vi uma publicação sobre essa interdição. Na publicação, dizia que havia uma estrada para escoamento. Só que, sinceramente, quem estava lá sabe que eu estava falando a verdade: não havia escoamento nenhuma. Tinha uma rua paralela e todos os carros estavam simplesmente parados ali”, reclamou a usuária da via
A viajante e seu esposo chegaram a ficar quase 6 horas com o carro desligado, conforme relatam, antes de conseguir escapar do engarrafamento quando fizeram o retorno, pagaram o pedágio novamente e passaram por Araruama e Jaconé para desviar.
“Foi horrível. Só vi um guarda municipal de Rio Bonito sozinho tentando organizar o que era impossível de se organizar. A concessionária não tinha nenhum preparo para informação, divulgação e nem para escoar esse trânsito. Ficamos todos ali ilhados”, lembra.
Ainda não há informações a respeito do que será feito da concessão do trecho. “A gente encaminhou esse ofício à ANTT reivindicando os direitos como cidadãos, como empresários, como pais de família, de a gente ter essa rodovia novamente licitada para cumprir os objetivos de uma BR, pedagiada, importantíssima para o Brasil e que a gente passe a ter um pouco mais de conforto com ações da concessionária e do Governo Federal que não tragam mais esse tipo de perturbação", afirma Navega.