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Mundo da Copa - Morador de Niterói, português compartilha como é torcer para seu país vivendo no Brasil

Afonso vive em Icaraí e torce par que seleção portuguesa chegue á final do torneio no Catar

relogio min de leitura | Felipe Galeno 06 de dezembro de 2022 - 16:13
Empresário se apaixonou pelo Brasil durante viagem e se mudou para o Rio em 2006
Empresário se apaixonou pelo Brasil durante viagem e se mudou para o Rio em 2006 -

Já não é novidade para nenhum brasileiro; em ano de Copa do Mundo e dia de jogo da Seleção, o país ‘para tudo’ para assistir à partida. Com exceção de alguns profissionais que precisam continuar em atividade, torcedores de todas as idades interrompem suas atividades para concentrar suas atenções no jogo. Para o português Afonso Vilas-Boas, de 51 anos, é essa a característica que diferencia a paixão do brasileiro pelo futebol das demais afinidades esportivas de outros países.

Aqui [no Brasil], o que é realmente impressionante é a questão da Copa, isso de tudo parar para que vejam o jogo da Copa. Isso, realmente, não conheço nenhum outro lugar do mundo que exista. Afonso Vilas-Boas
 

“Aqui [no Brasil], o que é realmente impressionante é a questão da Copa, isso de tudo parar para que vejam o jogo da Copa. Isso, realmente, não conheço nenhum outro lugar do mundo que exista. Os portugueses talvez saiam até um cadinho mais cedo para ver o jogo, mas não se para tudo, não se mudam os horários por causa do jogo de futebol”, explica o empresário, que mora no Brasil há 16 anos.

Morador do bairro Icaraí, em Niterói, Afonso lembra que conheceu esse costume inusitado em seu primeiro ano vivendo no Rio, em 2006, ano da Copa na Alemanha. Ele e um amigo português - que viviam, a época, no bairro do Recreio, na capital do Estado - saíram pouco antes de um dos jogos para comprar cervejas e se depararam com um ‘deserto’ em uma das principais vias cariocas.


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“Quando a gente entrou na Avenida das Américas, não havia trânsito, não se via ninguém. Estava tudo fechado. Ficamos: ‘O que é isto?’”, relembra, rindo, o proprietário da empresa de design editorial “Ohpá!”. Nas Copas seguintes, ele entendeu melhor como funcionava o caos apaixonado do Estado do Rio durante o período do torneio e, desde então, se diverte durante o período.

Uma das edições que lembra com maior carinho é, justamente, a que aconteceu no Rio. “2014 foi uma loucura. Parava tudo realmente. Foi ainda mais incrível, como tinham jogos aqui no Rio, era quase feriado. É uma loucura, mas é divertido. É cultura também, né”, opina o português.

Na opinião do português, 'terrinha' também é um "país do futebol"
Na opinião do português, 'terrinha' também é um "país do futebol" |  Foto: Layla Mussi
  

A história de amor de Afonso com o Brasil começou em uma viagem de férias no Nordeste. “Eu vim uma vez passar férias no nordeste do Brasil e gostei muito. Conheci lá algumas pessoas e uma menina que foi minha namorada. Depois, vim ao Rio de Janeiro, para o Carnaval. Fiz todo o percurso de Carnaval, de ir nos blocos na Zona Sul a desfilar na avenida”, conta.

Foi depois dessa viagem ao Rio que ele começou a cogitar deixar para trás toda a sua vida ‘na terrinha’ para morar em solo tupiniquim. Mesmo após o fim do relacionamento à distância com a namorada brasileira, ele continuou tentado a vir para o Brasil de vez e, aos 35 anos, tomou a decisão.

“As pessoas já estavam sentindo que eu estava com essa vontade muito grande de vir, de fazer essa experiência. Os amigos ficaram: ‘Tu vais? Que loucura, o que vais fazer lá?’. E eu: ‘Vamos ver! O pior que pode acontecer é eu ter de voltar’”, comenta o empresário, que não precisou voltar, a não ser para visitas e passeios. Encontrou emprego, montou sua empresa, casou-se com a niteroiense Ana Carolina e teve um filho; Nuno, de 9 anos.

Entre os costumes que trouxe de Portugal para cá, um que se manteve foi o de acompanhar partidas de futebol. Torcedor do Sporting Clube, ele relata não ter se sentido tão surpreso com a paixão dos brasileiros pelo esporte. “Por incrível que pareça, Portugal é um país do futebol também. É um país que, dependendo da notícia que tiver acontecendo no futebol, é a abertura dos jornais. Se tem algo impactante acontecendo no esporte, é capaz de ficarem 10, 15 minutos falando sobre isso”, explica.

A surpresa, mesmo, é nos períodos de Copa, que são bem mais inflamados no Brasil que no país europeu, em sua opinião. E, por conta disso, torcer para outro país no meio desse clima nem sempre é uma tarefa muito fácil. “Torcer quando chega o dia do jogo é aquele nervosismo como é para todo mundo. Para quem realmente vive o futebol, fica aquela tensão. Não consigo trabalhar tão bem. Tenho que colocar o telefone no silencioso para brasileiros, porque na hora do jogo de Portugal já está tudo funcionando normal”, conta.

"Consigo ver Portugal chegando à final", explica o torcedor
"Consigo ver Portugal chegando à final", explica o torcedor |  Foto: Layla Mussi
  

Sua principal companhia para assistir os jogos é o filho, que, segundo ele, está bem dividido em sua torcida esse ano: “Disse que se Portugal jogar com Brasil ele nem vai ver o jogo”. Já Afonso torce para que as duas equipes se encontrem. “Adoraria que a final fosse Brasil e Portugal, seria fantástico. Claro que não sei como estaria nesse dia, talvez não fosse ver na casa dos meus sogros, como costumo. Acho que seria melhor assistir sozinho”, revela.

Se depender dele, a equipe lusitana, pelo menos, chega à final, mas não sem obstáculos. "Consigo ver Portugal chegando à final. Portugal tem jogadores que podem fazer a diferença. A questão que penso com maior cautela está relacionada ao técnico. Acho que o Fernando Santos não tirou o melhor que poderia tirar desses atletas", avalia o morador de Niterói.

Ao mesmo tempo em que se preocupa, ele também confia que o time pode surpreender, como fez em 2016, quando conquistou o título da Eurocopa, também sob o comando do atual técnico, Fernando Santos. "A gente nem sabe ainda como Portugal chegou à final naquele ano. Não ganhou nenhum jogo da fase de grupo e chegou à final mesmo assim. Agora é torcer para que os jogadores se inspirem e deem o seu melhor para levar Portugal à final da Copa agora também. Seria fantástico", prevê, com esperanças.

Já o Brasil, campeão ou não, já é detentor de um título muito especial para Afonso: foi o primeiro país a fasciná-lo em uma Copa do Mundo, em 1982. "A Copa de 82 eu me lembro de ver e foi meu primeiro contato com o Brasil, com aquela Seleção maravilhosa, que jogou o futebol mais bonito que eu vi em Copas do Mundo até hoje. Tinha Zico, Sócrates, espetacular aquela equipe", rememora o torcedor.

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