Instagram Facebook Twitter Whatsapp
Dólar R$ 5,0748 | Euro R$ 5,8452
Search

Rapaz é inocentado após ficar quatro meses preso: "tiraram a inocência dele"

Jorginho foi preso em fevereiro deste ano após ser acusado de roubar um celular. Três vítimas teriam reconhecido Jorge por fotos

relogio min de leitura | Ana Carolina Moraes 14 de junho de 2022 - 14:52
A família de Jorginho lutou por quatro meses para que ele fosse libertado
A família de Jorginho lutou por quatro meses para que ele fosse libertado -

A angústia da família de Jorge Luiz de Souza Filho, o Jorginho, enfim, terminou. Desde o mês de fevereiro, eles viviam um pesadelo pela prisão do rapaz após ele ser acusado de ter roubado um celular. Segundo a família, ele, que trabalhava na Universidade Salgado de Oliveira (Universo), comprou o celular de um conhecido e não sabia que o aparelho era roubado. O rapaz foi solto na última semana após, por unanimidade, os membros da 5ª Câmara Criminal o absolverem, considerando que o rapaz é inocente. Finalmente Eliane de Oliveira Campos, mãe de Jorginho, e sua irmã Ana Clara respiraram aliviadas. 

Ao O SÃO GONÇALO, Ana Clara, de 19 anos, contou que finalmente o pesadelo acabou, mas Jorginho ficou marcado por tudo o que viveu na prisão. "Estamos anestesiados ainda com tudo o que ocorreu. O processo de adaptação após a prisão é muito difícil, meu irmão está muito diferente, está outra pessoa, esse terror o impôs novos medos, novas inseguranças, novos sentimentos e isso desde o dia 15 de fevereiro, desde o momento que deram voz de prisão a ele. Ficar longe da família por todos esses meses não foi fácil, ele não nos conta o que passou, ele simplesmente fica quieto e nos abraça muito, muitas vezes. Tiraram o meu irmão da gente, tiraram a essência e a inocência dele. Estamos muito felizes de tê-lo aqui em casa novamente, muito felizes que finalmente a Justiça foi feita, que os erros esdrúxulos foram revistos, que foi comprovado que era impossível ele cometer o crime, que ele foi considerado inocente por unanimidade entre os desembargadores da Quinta Câmara, mas dói demais ter visto ele ter que passar por audiências, com habeas corpus negados, pedidos de revogação de prisão preventiva negados, todas as tentativas negadas e ele ser posto como um indivíduo de “alta periculosidade”. O Estado tem uma culpa gigantesca com o meu irmão, eles tiraram ele de nossa casa e o puseram em um lugar totalmente diferente, um lugar que o objetivo era para ser de ressocialização. Agora em segunda instância poderemos gritar que a justiça foi finalmente feita!", disse ela. 

Durante o tempo que Jorginho ficou detido, a família fez atos e manifestações pedindo pela soltura do rapaz. Ele foi preso após ter sido reconhecido pelas vítimas do roubo através de uma foto que estava no sistema do Detran. Segundo Eliane, no processo consta que as vítimas relataram que foram roubadas e agredidas por um homem branco, com cerca de 1,80 de altura, que dirigia uma moto, muito diferente das características de Jorginho.

"O meu filho está sendo acusado de roubo em Itaboraí. Esse suposto assalto foi com duas vítimas e elas, no depoimento, disseram que o assaltante estava de capacete, pilotando uma Yamaha 250 azul, máscara anti-covid, tendo por volta de 1,80 e era branco. De todas as descrições só bate uma: meu filho também é branco. Mas tem 1,62m, tem dificuldade para enxergar por conta de sua cegueira progressiva, tornando-o incapaz de pilotar uma moto, uma bicicleta. Ele em pé não consegue enxergar, como seria capaz dele fazer isso? Tal assaltante era agressivo, deu tapa na cara das vítimas, mostrou arma, meu filho não tem coordenação motora para fazer tudo isso ao mesmo tempo, ele não tem condições mentais, psicológicas e, principalmente, físicas de fazer isso.", alegou a mãe na época da prisão.


Leia mais

Jovem é preso por engano após reconhecimento fotográfico em Itaboraí; família protesta pela soltura

Justiça determina que preso após reconhecimento fotográfico em Itaboraí continuará preso


Jorginho é um rapaz de 29 anos que possui deficiência motora e visual, além de dores crônicas de cabeça por conta de uma hipertensão intracraniana.

Além de ter sido libertado, o jovem foi homenageado na Comissão em Defesa dos Direitos Humanos da Alerj no mês de maio. "Desde a sentença condenatória dele, nós ficamos desoladas e precisávamos de ajuda. Nós fomos até a Comissão em Defesa dos Direitos Humanos da Alerj, que é presidida pela deputada Dani Monteiro. Ela nos ajudou e nos apoiou desde o começo, abraçando nossa causa e oferecendo tratamento para o meu irmão, pois as marcas de uma vítima pelo Estado são praticamente irreparáveis. O Jorginho está longe de ser a exceção desse caso e vimos isso no dia 13 de maio, quando ocorreu a entrega da medalha Tiradentes ao Gugu Nobre, também mais uma vítima do reconhecimento fotográfico por um crime que ele não cometeu. Chegando lá no local, encontramos muitas vítimas do Estado por esse sistema que encarcera pobres e inocentes. A Comissão decidiu que nesse dia que uma das pessoas homenageadas seria o meu irmão. Eu e minha mãe choramos muito, eles nos fizeram surpresa e foi lindo ver que a inocência do meu irmão foi reconhecida pelo menos por uma parte do sistema. Isso acalentou nosso coração!", contou ela, que é estudante da UFF. Jorginho teve uma menção de louvor, segundo ela, e todos da Comissão da Alerj apoiaram e aconselharam bastante a família. Na ocasião, Jorginho ainda estava preso, então sua mãe foi homenageada no lugar dele, representando-o.

Preso por reconhecimento fotográfico

Jorge Luiz de Sousa Filho, de 28 anos, foi preso no dia 15 de fevereiro, após comprar um celular de um conhecido sem saber que se tratava de um aparelho roubado. O trabalhador se tornou mais um dos vários casos recentes de pessoas que foram presas após reconhecimento fotográfico. No caso de Jorge, três vítimas o reconheceram como assaltante e o jovem acabou preso.

"Tinha um mandado de prisão preventiva contra o nome dele, porque quebraram o sigilo com a operadora e rastrearam tudo do aparelho. Chegaram até o trabalho dele, na Universo de Niterói, mas ele não estava porque está afastado por conta da pandemia, então uma amiga avisou a ele e, assim que ele ouviu, ele foi até a 71ª DP perguntar o que estava acontecendo, pois ele nada temia. E ele acabou sendo preso, e desde então todo pedido de revogação da prisão e também habeas corpus está sendo negado pois ele está sendo considerado um bandido de alta periculosidade por um crime que ele não cometeu. Ele comprou celular de um conhecido que o prometeu dar nota fiscal, ele ficou com o aparelho por menos de um mês.", explicou Eliane.

Matérias Relacionadas