Pais e educadores realizam ato pela inclusão na Praia de Icaraí

Grupo luta pela inclusão nas escolas

Escrito por Ana Carolina Moraes 01/04/2022 09:00, atualizado em 01/04/2022 10:58
Esse também é o Dia Mundial de Conscientização do Autismo
Esse também é o Dia Mundial de Conscientização do Autismo . Foto: Divulgação

Em mais um ato na Praia de Icaraí, educadores, pais, mães e amigos dos alunos com deficiência se reunirão para pedir inclusão nas escolas municipais de Niterói. No dia 20 de março, em um primeiro ato, os responsáveis pelo Movimento Inclusão na Educação pediram por melhorias no sistema escolar dos filhos, mas não tiveram a resposta que desejavam. Eles até chegaram a falar com vereadores do município, mas não conseguiram nenhum encaminhamento ou proposta de melhoria, por isso, o segundo ato, que será no próximo dia 02 de abril (sábado) a partir das 9h, se fez necessário. Esse também é o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. 

Os responsáveis pelo Movimento Inclusão na Educação afirmam que o número de professores de apoio nas escolas da rede municipal é pequeno para a quantidade  de crianças e isso compromete o aprendizado e desenvolvimento dos pequenos. Além disso, o grupo também pede maior acessibilidade das crianças com deficiência nas escolas, além de mais recursos, já que alguns estão faltando, dentre outros temas. 

Em uma reportagem anterior, a médica veterinária Fernanda Calmon Blac, de 42 anos, mãe da Desirée de 6 anos, diagnostica com a Síndrome de Down, falou com O SÃO GONÇALO e explicou um pouco dos objetivos do grupo. 

"A escola está fazendo um sistema de rodízio, então, uma semana vai um grupo de alunos e na outra vai outro grupo. É difícil explicar para qualquer criança que hoje tem aula e amanhã não, quebra a rotina delas, então isso já é um problema. Inicialmente falaram que optaram pelo sistema híbrido por causa da pandemia, mas, numa reunião que ocorreu no dia 07 de março, fomos informadas pelos professores que haviam problemas com a falta de professores de apoio, os profissionais da educação que ajuda os alunos com NEE (necessidades educacionais específicas). Esses profissionais de apoio reconhecem o limite da criança, usam material adaptado e podem ajudar a criança a desenvolver seu potencial, só que, como tem poucos professores e muitas crianças com NEE, os professores que têm ficam sobrecarregados e, muitas vezes, não conseguem se dedicar a àquela criança. Isso não é culpa desses professores de apoio, mas sim da rede municipal que não tem mais profissionais do tipo. Por causa dessa falta de professores de apoio soubemos, por exemplo, que as crianças ficam na sala de recursos no turno em que deveriam estar em aula. Essa sala é feita para as crianças com NEE aprender com jogos e outros estímulos e elas deveriam usar essa sala no contra turno, ou seja, se a criança estuda de manhã, ela usaria a sala de tarde e vice-versa, mas, sem professor de apoio, as crianças acabam indo para essas salas nos seus turnos e perdem aula e socialização com os outros", afirmou ela. A pequena Desirée está na alfabetização e estuda na Escola Municipal Julia Cortines, no Campo São Bento.

Sobre o caso, a Secretaria e a Fundação Municipal de Educação de Niterói, por meio da Prefeitura Municipal de Niterói, haviam informado que estão com planos para contratar novos professores e que realizam atividades voltadas para a inclusão de todas as crianças. 

Confira a nota completa do órgão público:

A Secretaria e a Fundação Municipal de Educação de Niterói informam que estão em constante diálogo com os profissionais da educação para ouvir e suprir as demandas de cada unidade. Atualmente a Rede Municipal conta com 1.325 alunos com deficiência matriculados e 580 professores de apoio, sendo que menos de 10% dos estudantes com deficiência necessitam de auxílio individual. Assim, disponibilizar um professor por aluno não se configura como uma prática inclusiva. Contudo, a realização de novos concursos para ampliação do número de professores de apoio especializado está sendo estudada pela SME/FME, já que 69 profissionais se desligaram de seus cargos ao longo dos anos. Além disso, está em andamento a contratação de 80 estagiários para garantir auxílio aos professores no desenvolvimento de novas estratégias pedagógicas.

A SME e a FME acrescentam ainda que a proposta pedagógica da Rede Municipal de Educação se baseia nos critérios de funcionalidade do aluno com deficiência e não somente na Classificação Internacional de Doenças (CID). São realizadas avaliações para que o professor de apoio siga a demanda de atendimento dos alunos e, posteriormente, avaliações pedagógicas que definem as estratégias que serão utilizadas. Professores regentes, de sala de recursos multifuncionais e de apoio trabalham em conjunto no sentido de incluir o estudante, sem resumir sua participação escolar a uma relação entre aluno e professor.

A SME/FME também iniciou tratativas com a Secretaria Municipal de Acessibilidade para viabilizar medidas efetivas tanto para os alunos, quanto para os pais e responsáveis. Uma das questões discutidas foi a necessidade de analisar e adequar as unidades arquitetonicamente  para garantir o acesso democrático. A Rede Municipal oferece salas de recursos multifuncionais, adaptação de materiais acessíveis e acompanhamento pedagógico sistemático, além de um Plano Educacional Individualizado (PEI) e um currículo funcional que estimula aspectos sociais, linguísticos e cognitivos. A Rede ainda conta com um estúdio para gravação de materiais e avaliações em Libras, produção em Braile e fonte aumentada para os alunos com deficiência visual. Além disso, está em andamento a aquisição de materiais tecnológicos e pedagógicos para aparelhar as salas de recursos multifuncionais de todas as unidades do município.

Serviço:

O ato ocorrerá no dia 02 de abril, a partir das 9h, na Praia de Icaraí (altura da Rua Miguel de Frias), em Niterói. O movimento pede que os simpatizantes da causa e todos que puderem ir compareçam. 

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