Governador promete rigor em investigação de morte de congolês
Jovem foi espancado até a morte após cobrar salário atrasado

O governador do Rio, Cláudio Castro (PL), comentou, na manhã desta terça-feira (1º), sobre a morte do congolês Moïse Kabamgabe, de 25 anos, assassinado na última segunda-feira (24), com golpes de madeira e taco de beisebol, após cobrar um pagamento atrasado no quiosque Tropicália, na Praia da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. Castro afirmou que o crime "não ficará impune" e prometeu rigor na investigação.
"O assassinato do congolês Moïse Kabamgabe não ficará impune. A Polícia Civil está identificando os autores dessa barbárie. Vamos prender esses criminosos e dar uma resposta à família e à sociedade. A Secretaria de Assistência à Vítima vai procurar os parentes para dar o apoio necessário", escreveu Castro no Twitter.
O jovem trabalhava no local e estava com pagamento de salário atrasado. Ele foi encontrado em uma escada, amarrado e já sem vida. Além do governador, o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), também comentou sobre o crime nesta terça-feira.
"O assassinato de Moïse Kabamgabe é inaceitável e revoltante. Tenho a certeza de que as autoridades policiais atuarão com a prioridade e rigor necessários para nos trazer os devidos esclarecimentos e punir os responsáveis. A prefeitura acompanha o caso", escreveu o prefeito no Twitter.
O laudo do Instituto Médio Legal (IML) apontou que a causa da morte foi por traumatismo do tórax com contusão pulmonar, além de vestígios de broncoaspiração de sangue. O documento revela lesões concentradas nas costas e o tórax aberto, com os órgãos dentro.
Na segunda-feira (31), a família de Moïse esteve com a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que vai acompanhar o caso.
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"Ele foi brutalmente assassinado em frente a um quiosque e os vídeos das câmeras de segurança disponíveis mostram quem foram as pessoas que o agrediram até a morte. Não há dúvidas de que o racismo foi um fator no caso. As imagens mostram mais um negro sendo espancado até à morte, algo que pessoas que transitavam pelo local já normalizaram. Vamos exigir que o Ministério Público denuncie cada uma dessas pessoas e, principalmente, identifique o gerente do quiosque, que teria chamado esses agressores", afirmou o presidente da CDHAJ, Álvaro Quintão.
A presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, deputada Dani Monteiro (Psol), destacou o caráter racista do crime e ofereceu apoio à família de Moïse.
"Estamos, junto com a OABRJ, prestando solidariedade à família e tentando garantir a justiça diante da brutalidade que foi cometida contra Moïse. Infelizmente a democracia no Brasil não funciona na sua totalidade para pessoas pretas, sejam elas brasileiras ou imigrantes africanos. Nesse caso, nos choca muito o horário do ocorrido, por volta das dez da noite, e o local, um quiosque na praia da Barra da Tijuca. Isso mostra que a ideia de que uma pessoa negra possa ser amarrada, torturada e espancada em público está naturalizada na nossa sociedade e é acompanhada de uma expectativa de impunidade".
O irmão de Moïse, que não teve seu nome revelado, afirmou que o jovem e a família se sentiam acolhidos desde que chegaram ao Brasil. Ele afirmou, no entanto, que agora não se sentem mais seguros e pedem que Justiça seja feita.