Suspeito de espancar congolês até a morte deve depor nesta terça
Homem é proprietário do quiosque onde a vítima trabalhava

O proprietário do quiosque Tropicália e principal suspeito de ter assassinado o congolês Moïse Mugenyi Kabagambe, de 25 anos, no último dia 24, deve comparecer à Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) para prestar depoimento, nesta terça-feira (1). Moïse teria ido ao estabelecimento, onde trabalhava servindo mesas, cobrar diárias atrasadas ao seu empregador, quando foi covardemente atacado.
O jovem teve seus pés e mãos amarrados com um fio antes de ser espancado até a morte com pedaços de madeira e tacos de beisebol, nos arredores do quiosque situado na altura do Posto 8 da Praia da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. A agressão teria durado mais de 15 minutos. Quando a polícia chegou ao local, encontrou Moïse ainda amarrado no chão, mas já sem vida.
“Uma pessoa de outro país que veio no seu país para ser acolhido. E vocês vão matá-lo porque ele pediu o salário dele? Porque ele disse: ‘Estão me devendo’?”, questionou Chadrac Kembilu, um dos primo de Moïse.
A DHC analisa imagens das câmeras de segurança do estabelecimento. Oito testemunhas, entre parentes da vítima e frequentadores do local, já foram ouvidas pelos investigadores. Até agora, nenhum suspeito foi identificado formalmente pelas autoridades e a identidade do proprietário também não foi revelada. De acordo com outro primo da vítima, o autônomo Yannick Iluanga Kamanda, de 33 anos, que teve acesso às imagens em posse da Polícia, o estabelecimento teria continuado funcionando normalmente após o ato de selvageria cometido contra o jovem.
"O início da gravação que eu vi é ele reclamando com o gerente do quiosque. Alguns minutos seguintes, o gerente pegou um pedaço de madeira para ameaçar ele. Ele estava só recuando e o cara foi atrás dele. Como ele estava reivindicando alguma coisa, ele pegou uma cadeira e dobrou para se defender, mas não chegou a atacar ninguém. O gerente chamou uma galera que estava na frente do quiosque e eles vieram, o arremessaram no chão, tentando dar um golpe de mata-leão nele, depois bateram nele com madeira, veio outro com uma corda, amarrou as mãos e as pernas para trás, passou a corda pelo pescoço. E ele ficou amarrado no mata-leão, apanhando, tomando soco e taco de beisebol nas costelas, até desmaiar. Eles foram embora e ficou só o gerente do quiosque, trabalhando, atendendo cliente e o corpo lá no chão, como se nada estivesse acontecendo.”, relatou Yannick.
Moïse e sua família chegaram ao Brasil em 2014, refugiados da guerra na República Democrática do Congo. Seu corpo foi enterrado em um cemitério no Irajá, na Zona Norte do Rio, neste domingo (30). A cerimônia de sepultamento foi marcada por protestos clamando justiça pelo assassinato do jovem.
“Meu filho cresceu aqui, estudou aqui. Todos os amigos dele são brasileiros. Mas hoje é vergonha. Morreu no Brasil. Quero justiça”, afirmou Ivana Lay, mãe de Moïse.
Em suas redes sociais, o prefeito da cidade, Eduardo Paes, descreveu a barbárie como “inaceitável e revoltante", afirmando que “a prefeitura acompanha o caso". Por sua vez, o Governador Cláudio Castro também se manifestou, sustentando que "a morte do congolês Moïse Kabagambe não ficará impune".
" A @PCERJ está identificando os autores dessa barbárie. Vamos prender esses criminosos e dar uma resposta à família e à sociedade. A Secretaria de Assistência à Vítima vai procurar os parentes para dar o apoio necessário.", disse Castro em postagem no Twitter.