Grafiteiros gonçalenses trazem novas cores e formas ao viaduto do Alcântara

O projeto foi idealizado pela Prefeitura Municipal de São Gonçalo

Escrito por Ana Carolina Moraes 14/10/2021 14:41, atualizado em 14/10/2021 15:24
O projeto segue em andamento
O projeto segue em andamento . Foto: Layla Mussi

Assim como ocorre na Zona Portuária do Rio de Janeiro, o Alcântara também vem sendo preenchido de cores e de formas pelos trabalhos de alguns grafiteiros no 'Projeto Cidade Ilustrada'. Com a curadoria de Marcelo Eco, o projeto busca contar a história do município através de pinturas e desenhos feitos pelos artistas Aila, Alio, Cabocla, Gut, Ogai, Raf, Siri, Tex, Trep, Xamp. 

Ítalo Ogai, de 37 anos, é um dos grafiteiros que foi convidado para estar no projeto. Ela sente que essa é uma oportunidade de ouro que foi dada para os artistas gonçalenses. 

"Para mim é muito gratificante não só pelo meu trabalho, mas também pela valorização que o prefeito nos deu ao nos chamar para esse projeto. Eu sou de uma leva de grafiteiros que começou a conhecer o grafite em São Gonçalo, as primeiras escolas de grafite do Rio, inclusive, foram aqui. Então, pra gente é muito importante estar participando disso aqui e de mostrar uma cultura que abraça as pessoas que não têm condições financeiras, levamos a cultura com os nossos desenhos para dentro de comunidades pelo município e hoje estamos aqui no Alcântara, levando arte para quem passar", contou ele que grafita há 22 anos.

Ogai está no projeto desde o início
Ogai está no projeto desde o início | Foto: Layla Mussi
 

Ogai contou que o convite para o projeto veio em fevereiro e logo depois ele e os outros artistas tiveram uma reunião com o próprio prefeito Capitão Nelson para discutir o que e como seria feito. Foram feitas outras reuniões e discussões nesse tempo e no início de setembro as pinturas começaram. 

Um primeiro muro já foi totalmente grafitado no viaduto do Alcântara, como noticiado pelo OSG, agora, os artistas estão na segunda parte do viaduto do Alcântara, de frente para a Estrada Raul Veiga. Na primeira parte, foram pintados índios e animais contando sobre o surgimento do município, agora, nessa segunda parte, estão sendo pintados bondes elétricos, trem, indústrias e a agricultura, ainda contando a história de São Gonçalo, mas numa era mais moderna que a anterior. 

Essa é a primeira parte do muro do viaduto em questão
Essa é a primeira parte do muro do viaduto em questão | Foto: Divulgação/Prefeitura Municipal de São Gonçalo
 

Quem também está participando dessa nova fase do projeto é Aila de Jesus, conhecida como Aila Ailita, de 39 anos. Para ela, é uma honra ser uma das duas mulheres que estão no projeto. "Eu comecei a pintar e grafitar por aí junto com esses meninos, fui uma das primeiras grafiteiras do município e o grafite nasceu primeiro em São Gonçalo quando se fala no Estado do Rio de Janeiro. O Alcântara é o bairro em que eu nasci, que eu cresci e que eu moro. Eu comecei a trabalhar nesse projeto a partir desta segunda parte e fiquei honrada, eu fiquei muito feliz de receber o convite para estar aqui", contou ela que grafita há 20 anos.

Aila é uma das poucas pichadoras femininas do projeto e sente orgulho do Alcântara
Aila é uma das poucas pichadoras femininas do projeto e sente orgulho do Alcântara | Foto: Layla Mussi
 

Segundo os grafiteiros, após finalizar o viaduto do Alcântara, outros locais ganharão as cores do projeto, sendo eles: o viaduto de Maria Paula, o viaduto do Colubandê, o viaduto do Alcântara e o viaduto de Santa Izabel. 

Quem também ficou feliz com as cores que o projeto 'Cidade Ilustrada' traz foram os trabalhadores e pedestres que sempre passam pelo Alcântara. O motoboy Richard Duarte, de 30 anos, por exemplo, acredita que o local está ficando bonito. "Tá ficando maneiro, está realçando a beleza do Alcântara e ajudando o bairro", contou ele. 

Já o comerciante Gabriel Sales, de 21 anos, também acredita que o local está ficando melhor. "Eu acho essa pintura do viaduto bem bacana, o Alcântara está ficando bonito, com o visual melhorando. Antes, era meio caidinho por aqui", disse ele.

Vale lembrar que as pinturas no viaduto não são a única novidade no Alcântara. Na região, também está ocorrendo uma obra na Estrada Raul Veiga com o objetivo de tornar o espaço um calçadão para os ambulantes, facilitando também a passagem dos pedestres no local.

Para acompanhar o projeto 'Cidade Ilustrada', siga no Instagram (@cidadeilustradasg).

Pichação sobre o grafite

Os grafiteiros falaram sobre a pichação em desenhos no Zé Garoto
Os grafiteiros falaram sobre a pichação em desenhos no Zé Garoto | Foto: Layla Mussi
 

Os dois grafiteiros falaram também sobre o vandalismo feito através de pichações que cobrem o grafite de um trem na Avenida Presidente Kennedy, no Zé Garoto, de frente para o Clube Tamoio.

Para Aila, a pichação pode ter sido uma espécie de vingança de alguém e considerou que isso é passar por cima da obra de outro artista.

"Eu sinceramente quando eu vi aquilo ali, a pichação que fizeram ali por cima do grafite de um trem, eu vi que não era de um pichador, mas sim de um grafiteiro. Aquilo foi tipo uma inveja de um grafiteiro que não participou do desenho e ficou com raiva. Eu, por exemplo, queria participar do projeto 'Cidade Ilustrada', mas se colocassem outras meninas eu, com certeza, ia ficar tão feliz quanto se fosse comigo, mas não foi o que aconteceu, pra mim teve a ver com não respeitar o trabalho do outro", afirmou ela.

Os grafiteiros falaram sobre a pichação em desenhos no Zé Garoto
Os grafiteiros falaram sobre a pichação em desenhos no Zé Garoto | Foto: Layla Mussi
 

Já Ogai acredita que esse tipo de coisa acontece por falta de respeito e também quando não há fiscalização necessária.

"O grafite tá na rua e é da rua tanto quanto a pichação. A maioria dos grafiteiros já foram pichadores e migraram para o grafite como uma nova expressão de arte. A pichação, como o grafite, está em locais de abandono. Aqui no viaduto do Alcântara, se não tiver um olhar de continuidade, de fiscalização a pichação e outras atitudes pode ficar do mesmo jeito que lá, com pichações por cima do desenho. Eu não julgo, mas tudo é uma constante. Aqui mesmo, quando a prefeitura pintou de azul e estávamos pintando o outro lado, vieram pessoas e colocaram cartazes aqui e a prefeitura teve que tirar para pintarmos. Se o povo também não fiscalizar, assim como a prefeitura, não tem o que fazer. A nossa parte estamos fazendo, dando o nosso melhor", disse ele.

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