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Famílias gonçalenses continuam sem receber chave de apartamento em condomínio de Vista Alegre

Ainda não há um prazo para a resolução do problema

relogio min de leitura | Ana Carolina Moraes 20 de julho de 2021 - 09:50
Caso foi noticiado pelo OSG pela primeira vez em maio de 2021
Caso foi noticiado pelo OSG pela primeira vez em maio de 2021 -

Cerca de 500 famílias gonçalenses seguem sem conseguir realizar o sonho de casa própria. Todas investiram dinheiro em um apartamento do Residencial Águas de Guanabara, localizado em Vista Alegre, São Gonçalo, e até hoje não conseguem se mudar ou utilizar o imóvel comprado por problemas da própria construtora, a Via Sul, com a Enel. 

Em maio deste ano, O SÃO GONÇALO noticiou o caso. Na época, ficou claro que haviam prazos e promessas da construtora que não estavam sendo cumpridos. Por sua vez, a Via Sul informou que seguia fielmente os contratos e que não estava cumprindo os prazos por causa da necessidade de ativação de energia elétrica no condomínio em questão, que seria responsabilidade da Enel. Já a Enel afirmou, na época, que precisava trabalhar com outros órgãos para realizar a obra para a ligação da energia elétrica na região. Na reportagem anterior, eles deram um prazo informando que a previsão do término do caso ocorreria na primeira quinzena de julho. 

Desta vez, mais pessoas procuraram novamente o OSG para informar que seguem sem prazo para receber as chaves do local. Anteriormente, cerca de 250 famílias estavam com os apartamentos prontos, mas sem poder utilizar, agora, são, ao todo, 500 famílias, já que a segunda parte do condomínio terminou de ser construída.

O jornalista Alexandre Diogo dos Santos, de 25 anos, e sua esposa, a técnica em radiologia Maria Gomes estão tentando dar início ao sonho da casa própria e querem um espaço para iniciar sua família. Eles, que atualmente moram numa casa que pertence aos pais de Alexandre, seguem sem as chaves do apartamento que ainda estão pagando.

"Eu comprei meu apartamento em outubro do ano passado e me prometeram que as chaves seriam entregues em janeiro. Continuamos, então, até hoje, pagando a taxa de evolução para a Caixa Econômica e estamos pagando também a entrada do imóvel. Na época da matéria anterior, no entanto, eu ainda não estava envolvido, pois o meu bloco do condomínio não estava finalizado, ele foi concluído no mês passado. Ainda não tivemos vistoria nem nada, diferente do pessoal da outra reportagem, mas estamos sem as chaves e sem uma previsão. Nada mudou! Sabemos que há um processo entre a Via Sul e a Enel na justiça, mas ainda estamos sem energia e sem o apartamento. Não temos informações sobre quando será resolvido. Só queremos saber quando essa obra será concluída. Prometeram na primeira quinzena de julho, mas até hoje não conseguimos nada", disse o jornalista.

Alexandre também reclamou que a Via Sul pede que os clientes procurem a Enel, o que fazem sem sucesso. "Não conseguimos falar com a Enel, pois não somos clientes deles ainda e não temos uma ordem de serviço aberta. Só queria saber qual é o prazo para a conclusão das nossas obras. Sabemos que a obra em questão fortaleceria a rede elétrica da rua do condomínio, mas ainda não sabemos os prazos da Enel ou da Via Sul para a entrega das chaves", contou ele.

"Eu moro de favor com a minha esposa na casa dos meus pais. Compramos o apartamento, pois queríamos uma coisa só nossa. Já compramos várias coisas para o apartamento, como máquina de lavar, decorador de cozinha, mas não podemos usar, pois ainda não nos mudamos para a nossa casa própria. É todo um planejamento que foi destruído", concluiu ele. 

Em nota, a Via Sul Engenharia, empresa responsável pelo residencial "esclarece que não há pendências da construtora em relação ao empreendimento Águas de Guanabara. Entretanto, até o momento, a Enel Distribuição Rio não concluiu o procedimento de ativação da energia elétrica do Águas de Guanabara, fato que está nos impossibilitando de prosseguir com os procedimentos necessários para a entrega das chaves aos moradores.

Apesar de ter feito diversas requisições de posicionamento, todas devidamente recebidas pela Enel, a concessionária não retornou com nenhuma resposta oficial para a ViaSul Engenharia. Em defesa apresentada no âmbito judicial, a Enel Distribuição Rio justificou o atraso por meio da necessidade de finalização de uma obra para extensão de rede, tendo em vista o porte do empreendimento Águas de Guanabara. A concessionária forneceu, ainda, o prazo de 30 de julho para a conclusão definitiva.

Contudo, até o momento, todos os cronogramas e prazos fornecidos pela Enel foram descumpridos e, por essa razão, a ViaSul permanece com as iniciativas administrativas e jurídicas, a fim de obter a solução por parte da concessionária o mais rápido possível", informou a empresa.

Já a Enel Distribuição Rio informou que "a empresa está trabalhando nas etapas finais das intervenções necessárias para conectar o condomínio à rede elétrica. A execução dos serviços é complexa, entre outras razões, por tratar-se de uma intervenção subterrânea, o que contribui para que o cronograma fique mais extenso. A Enel Rio acrescenta que tem tratado o caso com a máxima prioridade, pois entende o caráter de urgência do tema.

A Enel Distribuição Rio esclarece ainda que as obras exigiram o licenciamento por parte de órgãos como a ANTT e Prefeitura de São Gonçalo e que a complexidade no processo de obtenção das autorizações impediu que a Enel iniciasse a obra anteriormente.

Após a construtora cumprir suas obrigações no processo de solicitação da obra, a Enel Distribuição Rio realizou os estudos para viabilizar as intervenções. Em razão da complexidade técnica do projeto e da necessidade de autorização de outros órgãos, a distribuidora vem atuando em parceria com a Prefeitura de São Gonçalo e com a concessionária Arteris Fluminense, que também precisou ser envolvida, uma vez que a obra impacta uma área sob a responsabilidade da rodovia", informou a concessionária. 

Recordando - O SÃO GONÇALO já havia contado que 250 famílias, em maio deste ano, estavam sem conseguir as chaves do apartamento que lutaram tanto para pagar no Residencial Águas de Guanabara. Na ocasião, moradores contaram suas histórias para nós. Algumas destas famílias haviam comprado o apartamento da construtora em 2019.

A técnica de enfermagem Ana Paula Policarpo, de 39 anos, comprou um imóvel em 2017 e conseguiu o contrato de financiamento pré-aprovado com a Caixa Econômica Federal em 2018. Ela informou que, na época, a previsão de entrega era em dezembro de 2019, mas isso não ocorreu. "Quando eu comprei estava ainda na terra, na planta. Eles prometeram para o final de 2019 e esperamos até lá. Em dezembro de 2019, então, aguardávamos a chave, mas ninguém nos avisou nada. Depois de muito tempo, ficamos sabendo que a ViaSul Engenharia, empresa responsável pela construção dos imóveis, tinha um prazo de tolerância para entrega da obra de mais 180 dias após dezembro e isso estava no contrato. Então, aguardamos até julho de 2020, que seria o prazo final para que a empresa concluísse a construção civil. No final de julho, marcaram a vistoria com alguns moradores da fase 1 e 2 do residencial e começaram a cobrar algumas taxas de obra, entre outras, informando que só dariam as chaves do local para quem tivesse pago essas taxas. Pagamos, eu fiz minha vistoria em julho, não havia pendência, lacramos o apartamento e esperamos que as chaves fossem entregues. A próxima previsão, então, era de que nos dariam essa chave em agosto", contou ele.

Ana Paula e outros moradores que fizeram suas vistorias, passaram, então, a comprar móveis para seus apartamentos, acreditando que conseguiriam se mudar em agosto de 2020. "Muita gente comprou móveis nesse tempo para trazer para cá, incluindo fogões e geladeiras também. Em agosto, não avisaram nada para a gente sobre as chaves. Aí remarcaram a entrega das chaves para setembro, depois para outubro e depois pararam de falar. Nesse meio tempo, quem comprou os móveis perdeu o prazo de montagem e o produto em si, já que esperava colocar na casa nova e permaneceu na casa antiga, no aluguel. O último prazo que nos deram foi em abril de 2021, marcaram para pegarmos as chaves nos dias 30 de abril e 01 de maio, mas um dia antes mandaram e-mail desmarcando. É um descaso!", contou a técnica de enfermagem. 

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