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Comerciantes de Niterói fazem manifestação pacífica contra novo decreto

Manifestação se estendeu da Praia de São Francisco até a Prefeitura de Niterói

relogio min de leitura | Ana Carolina Moraes 08 de março de 2021 - 14:00
Imagem ilustrativa da imagem Comerciantes de Niterói fazem manifestação pacífica contra novo decreto

Com gritos de “queremos trabalhar” cerca de 100 pessoas se reuniram hoje (08), por volta das 12h, às margens da Praia de São Francisco para protestar, de forma pacífica, contra o novo decreto imposto na última sexta-feira (05) para impedir o avanço do coronavírus no município. 

Segundo as novas medidas, está proibido música ao vivo nos bares e restaurantes em Niterói. Esses estabelecimentos, por sua vez, só poderão funcionar até às 18h. Já os estabelecimentos comerciais de rua só podem abrir às 10h e fechar às 19h; os shoppings centers só podem ficar abertos das 12h às 22h; já os quiosques das praias estão suspensos, assim como as atividades físicas coletivas nas praias. Além disso, as pessoas não podem ficar na rua das 23h até às 5h. 

O músico e comerciante Luiss lessa, de 41 anos, explicou os motivos pelos quais foi feita a manifestação. “Eles bloquearam os estabelecimentos, que só podem funcionar até as 18h, além disso, cortaram a música ao vivo, sendo que tem restaurantes e bares nos quais a música ao vivo ajuda nas receitas da casa. Com isso, ficamos impossibilitados de trabalhar”, contou ele. 

O músico afirma que os restaurantes seguiram os protocolos de segurança implementados no ano passado quando foi autorizada a reabertura dos bares e restaurantes na pandemia. “Passaram um protocolo de segurança para ser feito e passamos meses falando pro público seguir esse protocolo. Foi um trabalho conjunto com garçons, gerentes e etc, e, mesmo após isso,  eles cancelam tudo para aplicar esse decreto. É uma falta de respeito! Queremos voltar a trabalhar como estávamos antes: com 50% da casa, espaçamento de um metro e meio entre as mesas e funcionando até 1h da manhã, claro, respeitando os protocolos que eles criaram.”, afirmou o músico. Ele ainda indagou: “Já cortaram os shows maiores, estávamos vivendo de shows em bar e agora querem cortar isso também?”

Marco Antônio Ferreira da Costa, de 46 anos, dono do Boteco Oceânico, localizado em Piratininga, informou que estava seguindo todos os protocolos e, mesmo assim, não foi ouvido. “Eu abri meu estabelecimento há cerca de três meses. Eu não discordo que existe a doença, mas se é pra congelar a cidade pro vírus diminuir, devemos congelar tudo. Por que só os bares e restaurantes? Eu trabalhava de quarta a domingo, mas eu reduzi os dias por causa do Covid e passei a trabalhar só nos fins de semana, mas, mesmo assim, implementaram esse decreto. Meu bar abre às 18h, como vou pagar as contas se é às 18h que ele deve fechar com o decreto?”, questionou.

O comerciante ainda informou que, na última sexta-feira (05) eles foram até a Prefeitura de Niterói para resolver o caso. Chegando lá, tiveram uma reunião com o secretário Bira Marques, que liberou que os bares ficassem aberto até às 22h no fim de semana seguinte (dias 6 e 7), mas, mesmo assim, nada adiantou. 

“No dia em que liberaram ficar até as 22h eu nem abri, só o custo de tudo é caro, pagar segurança, luz e outras coisas é um custo muito alto”, afirmou ele. 

O dono de quiosque Damiã da Silva, de 51 anos, também relatou que teve problemas com o novo decreto.  “O que queremos é a igualdade com os horários dos bares e restaurantes. Nós, donos de quiosques, estamos sem trabalhar, sem pagar as contas, queremos funcionar. Antes do decreto, estávamos abrindo às 6h e fechando por volta das 12h30. Depois, abríamos às 16h e fechávamos às 22h. No entanto, o horário que mais vendíamos, que é o horário do almoço, estávamos fechados e isso já prejudicava o nosso orçamento, agora então. Mas os bares e restaurantes da praia podiam ficar abertos. A princípio esse decreto vale 15 dias, mas como vamos saber? Pode durar bem mais. Não suportamos mais nenhum dia fechado”, contou o comerciante. 

A manifestação se estendeu até a Prefeitura de Niterói, localizada no Centro do município. Na frente do órgão público, os gritos foram de “Axel, cadê você?”, fazendo referência ao prefeito de Niteroi, Axel Grael, eleito em 2020. Além disso, os manifestantes pediam que fossem ouvidos pelo atual prefeito do município e não por um secretário, como ocorreu na outra semana. “Só vamos sair daqui ao falar com você Axel, vamos dormir aqui se for necessário, vai ser todo dia se nada for resolvido”, gritaram os manifestantes.

São Gonçalo

Na última sexta-feira (5), cerca de 30 proprietários de bares e restaurantes de São Gonçalo também realizaram um protesto contra as novas medidas de restrição de circulação para enfrentamento à Covid-19 decretadas pelo prefeito Capitão Nelson (PL). O grupo se concentrou em frente à prefeitura da cidade, no Centro, e cobrou do poder executivo uma flexibilização no horário de funcionamento dos estabelecimentos. 

Em nota, a prefeitura de Prefeitura de São Gonçalo informou que os secretários Douglas Ruas e Márcio Picanço atenderam os empresários dos ramos alimentício, bares e shows, onde ouviram os questionamentos de cada um, esclarecendo as informações divulgadas no decreto municipal.

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