Aldeia Guarani de São José do Imbassaí divulga carta de repúdio à violência ocorrida em seu território

Acusado foi banido da comunidade Tupi Guarani

Escrito por Redação 24/01/2021 08:04, atualizado em 24/01/2021 09:33
Trecho da carta
Trecho da carta . Foto: Divulgação

Após a Polícia Civil iniciar investigações sobre estupro de vulnerável e morte de um recém-nascido na Aldeia Indígena Mata Verde Bonita, integrantes do local divulgaram uma nota de repúdio à violência ocorrida na comunidade na última quinta- feira (21). 

Confira a nota na integra : 

"Nós, da aldeia Mata Verde Bonita, em São José do Imbassaí, queremos mostrar nossa indignação sobre os fatos que aconteceram na nossa aldeia nos últimos dias.

Quinta-feira, 21 de janeiro, durante a limpeza do espaço da aldeia, encontramos na mata um bebê recém-nascido. Logo nós o socorremos e uma das enfermeiras de saúde indígena ajudou a fazer os primeiros socorros e depois socorremos de carro até o hospital de Maricá, mas o bebê chegou sem vida.

Nós, depois que voltamos no hospital fomos averiguar o que aconteceu e descobrimos uma menina que vinha sofrendo estupro pelo próprio pai e que ele obrigou ela a abandonar o bebê.

A comunidade chocada foi atrás dele que já estava fugindo, mas os guerreiros da aldeia pegaram ele e ele confessou o crime que cometeu e assim seguramos ele até a chegada da polícia. A cacique da aldeia foi até a delegacia prestar denúncia e ficamos indignados ao saber que o acusado não ficou preso.

A comunidade não entende a decisão da justiça brasileira que deixou impune uma pessoa que cometeu um crime tão bárbaro. Na aldeia todos estão de luto até porque nosso costume, nossa cultura, nossa maneira de ser não nos ensina assim, nós somos Tupi Guarani, e aprendemos a cuidar uns dos outros e a proteger toda a nossa comunidade.

Hoje a comunidade se dedica a cuidar dessa jovem que não teve infância e tanto sofreu.

Estamos buscando juntos passar por esse momento difícil para nossa comunidade.

Agora queremos a justiça que ele pague por tudo que ele fez e não mais consideramos ele como Tupi Guarani ". 

Trecho da carta
Trecho da carta | Foto: Divulgação
 


Prefeitura também lamentou o ocorrido. Confira: 

A Prefeitura de Maricá lamenta profundamente os crimes de estupro de uma jovem e morte de um bebê ocorridos na aldeia indígena em São José do Imbassaí, e informa que é de competência da Fundação Nacional do Índio (Funai) acompanhar e observar todas e quaisquer questões indígenas, não só em Maricá, mas em todo país.

A Prefeitura informa ainda que os crimes foram reportados à Coordenadoria Indígena da Secretaria de Direitos Humanos que, imediatamente, tomou a providência de acionar os órgãos competentes, tanto de saúde como de segurança pública.

A Prefeitura Municipal se compadece da dor e da revolta dos moradores da aldeia e está priorizando, desde o primeiro momento, o atendimento e amparo às vítimas, colocando à disposição sua estrutura de saúde e direitos humanos, que está atuando no local desde o primeiro dia e continuará prestando todo auxílio necessário.

A Prefeitura de Maricá reitera seu respeito aos indígenas da aldeia, e à família das vítimas, que estão sofrendo com este crime absurdo e reafirma a fé na justiça, para que o caso seja resolvido e os culpados sejam punidos.

Segue em anexo a carta de manifestação de toda a comunidade indígena, assinada por sua Cacica.

Entenda o caso: 

Polícia investiga estupro e morte de recém nascido em aldeia indígena de Maricá

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