Deolane Bezerra terá que remover mega hair por risco de fuga
A advogada e influenciadora foi presa por suspeita de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC)

A advogada e influenciadora Deolane Bezerra deverá remover o mega hair para cumprir as regras da Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, para onde foi levada na sexta-feira (22), um dia após ser presa, na quinta-feira (21), acusada de manter ligação com o Primeiro Comando da Capital.
A remoção do acessório capilar ocorre por questões de segurança e risco de fuga. Dependendo do tamanho da extensão de cabelo, ela pode ser utilizada por outra presa para se passar por uma visitante. Também há o risco de o material facilitar fugas ao ser amarrado a outros objetos, como lençóis.
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Um policial penal afirmou que Deolane, assim que chegou à penitenciária no interior de São Paulo, passou pelo procedimento padrão de revista íntima, realizado com a suspeita nua, segundo o site Metrópoles. Ainda de acordo com o relato, a influenciadora tinha conhecimento prévio dos procedimentos, não ofereceu resistência e colaborou normalmente com a equipe durante todo o processo.
Deolane está presa em um pavilhão especial. A área fica no antigo seguro (ala de proteção) da unidade. Em um dos lados está o pavilhão disciplinar e, do outro, o pavilhão especial do Estado-Maior, acomodação à qual ela tem direito por ser advogada, conforme prevê o Estatuto da Advocacia (Lei 8.906/1994), até eventual condenação com trânsito em julgado, quando não houver mais possibilidade de recurso. Na ausência de cela similar, Deolane poderá ser conduzida à prisão domiciliar.
Atualmente, a advogada está em uma cela individual de 9 m², em uma área especial com 10 celas no total. Segundo informações da administração penitenciária, o tratamento oferecido a Deolane e os kits de entrada são os mesmos destinados às demais detentas, sem privilégios. A área é considerada adequada pela direção da unidade, e ela segue cumprindo corretamente as determinações disciplinares.
Acusações de regalias
Antes de ser transferida para Tupi Paulista, a influenciadora passou uma noite na Penitenciária Feminina de Santana, na Zona Norte da capital paulista. O Sindicato dos Policiais Penais do Estado de São Paulo denunciou supostas regalias concedidas à advogada à Secretaria da Administração Penitenciária.
Apontada como integrante do Primeiro Comando da Capital, Deolane é investigada por suposto esquema de lavagem de dinheiro. Ela permaneceu cerca de 15 horas presa na unidade, na quinta-feira (21).
Segundo o sindicato, dois integrantes da chefia da penitenciária receberam Deolane pessoalmente. O denunciante afirmou que o procedimento seria incomum, já que existe um setor específico responsável pelo acolhimento de novos detentos.
Além disso, a influenciadora teria recebido um chuveiro elétrico privativo e uma cama diferente das utilizadas pelas demais presas. O relatório do sindicato também aponta restrição de acesso a policiais penais ao local. “Impedimento de ingresso de servidores da unidade no referido espaço, comprometendo a fiscalização e a segurança institucional”, informou o documento.
Posicionamento da OAB-SP
A Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil Seção São Paulo acompanhou a prisão de Deolane e a audiência de custódia. Em comunicado, a entidade afirmou que acompanha diligências envolvendo advogadas e advogados “com o objetivo de assegurar o respeito às garantias legais e estatutárias da advocacia”, e não “por qualquer privilégio pessoal”.
A instituição ressaltou que o Estatuto da Advocacia prevê que advogados presos preventivamente sejam encaminhados para sala de Estado-Maior ou, na ausência desse recurso, para área similar, permanecendo separados dos demais presos.
“A OAB-SP dispõe de instâncias próprias para apuração de eventuais condutas ético-disciplinares de inscritos e inscritas, observados o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa”, destacou a nota. “As infrações são analisadas pelo Tribunal de Ética e Disciplina da entidade, seja a partir de representações ou de fatos divulgados publicamente”, acrescentou o texto.
A Ordem dos Advogados do Brasil Seção São Paulo informou que continuará acompanhando os desdobramentos do caso e reforçou o “compromisso com a legalidade, as prerrogativas da advocacia e a regular apuração dos fatos”.
Deolane presa
A advogada e influenciadora Deolane Bezerra foi presa na manhã da última quinta-feira (21), durante a Operação Vérnix, que também teve como alvo Marco Willian Herbas Camacho, apontado como líder máximo do Primeiro Comando da Capital. Ela é acusada pela Polícia Civil de São Paulo de integrar a facção e lavar dinheiro para integrantes da alta cúpula da organização criminosa.
Deolane foi presa na mansão onde mora, em Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo, e levada ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa. Na unidade, participou de audiência de custódia virtual, e a Justiça manteve a prisão preventiva decretada pela 3ª Vara do Foro de Presidente Venceslau.
A advogada virou alvo da polícia após investigadores identificarem transferências bancárias recebidas por ela de uma transportadora supostamente criada pelo Primeiro Comando da Capital para lavagem de dinheiro. Segundo as investigações, os valores não teriam relação com prestação de serviços advocatícios, mas com o “fechamento” das contas mensais da empresa.
Na defesa, a influenciadora afirmou que atuava no exercício regular da profissão. À época, Deolane acompanhava o processo de Diógenes Gomes Barros, preso acusado de roubo na Penitenciária de Irapuru e apontado pelas investigações como integrante do Primeiro Comando da Capital.
Os investigadores da Polícia Civil destacaram, no relatório final, que Deolane visitou Diógenes até a soltura dele, em dezembro de 2014.