Clubes ameaçam parar Brasileirão após governo anunciar fim das bets
Dirigentes de clubes do Rio e de São Paulo articulam boicote e pressionam governo por prazo de transição para o fim da publicidade das casas de apostas

A decisão do governo federal de acabar com as casas de apostas esportivas on-line provocou uma forte reação entre os clubes de futebol. Dirigentes começaram a discutir a possibilidade de paralisar o Campeonato Brasileiro enquanto a medida estiver em vigor. Segundo o jornalista Marcel Rizzo, do Estado de S. Paulo, as articulações foram intensificadas na segunda-feira (28). Dirigentes passaram a discutir estratégias para tentar derrubar a medida provisória assinada pelo governo na sexta-feira (25).
Em meio às negociações, o governo federal cancelou uma reunião que teria com representantes dos clubes. O encontro foi boicotado por um grupo de dirigentes, principalmente de equipes do eixo Rio-São Paulo. A possibilidade de os clubes se recusarem a entrar em campo pelo Brasileirão seria uma forma de pressionar o governo a apresentar um plano mais amplo do que a linha de crédito com juros baixos inicialmente anunciada.
Leia também:
Guarda Municipal de São Gonçalo faz ação em alusão ao Setembro Amarelo
Petrobras fecha acordo para comprar gás dos EUA por mais de 20 anos
Os clubes defendem a criação de um período de transição de pelo menos seis meses a um ano para o fim das publicidades das casas de apostas. A intenção é permitir que as equipes tenham tempo para reorganizar seus contratos comerciais e reduzir o impacto financeiro da medida.
Além da pressão sobre o governo, os dirigentes também querem que a CBF se manifeste oficialmente sobre o assunto. Até o momento, a entidade vinha mantendo uma postura considerada discreta diante da discussão.
Na segunda-feira, o Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional (Sinafut) entrou com um pedido para participar do processo que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) e que foi aberto pelas empresas de apostas na tentativa de suspender a medida provisória.
A movimentação foi recebida de forma positiva pelos clubes. O Sinafut tem forte influência da CBF, o que pode aumentar a pressão para que a entidade participe mais diretamente das discussões sobre o futuro dos contratos envolvendo as casas de apostas e o futebol brasileiro. Até o fechamento desta edição, a CBF ainda não havia se manifestado sobre o assunto!