Projeto 'Reciclando através da leitura e do esporte' faz a diferença em São Gonçalo

Idealizadora da ação social se inspirou em outra iniciativa socioeducativa gonçalense

Escrito por Redação 20/01/2020 16:49, atualizado em 20/01/2020 17:44
'Reciclando através da leitura e do esporte' funciona todos os sábados pela manhã na casa de Roberta, no Pacheco
'Reciclando através da leitura e do esporte' funciona todos os sábados pela manhã na casa de Roberta, no Pacheco . Foto: Divulgação


Por Rennan Rebello


O hábito de assistir televisão, além de ser um meio de se entreter ou se informar também pode servir para inspirar pessoas. Foi o caso da moradora de São Gonçalo, Roberta de Jesus Costa, 38, ao assistir ao programa 'Como Será?' da TV Globo, no dia 9 de março de 2019, que exibiu uma matéria referente ao projeto social Primeira Chance, do ativista Douglas Oliveira. O projeto  promove aulas de reforço escolar, atividades esportivas e culturais à crianças e adolescentes no Morro do 40, do Pita. Inclusive, a iniciativa participou do quadro 'Um por todos' do programa 'Caldeirão do Huck', no fim do ano passado.


Após a primeira reportagem exibida na TV, Roberta decidiu ser como o Douglas, e passou a ser uma ativista em seu bairro de origem, o Pacheco, mais precisamente na altura da Estrada do Bichinhos, que é considerada área de risco e distante da região central da cidade.


A partir desta motivação, nasceu o projeto 'Reciclando através da leitura e do esporte', onde prioriza o hábito da leitura e a prática de futebol feminino em sua localidade, tendo a venda de resíduos à reciclagem como única fonte de renda para manter o seu sonho: educar a nova geração de sua comunidade de forma sustentável.


"A história do Douglas foi a minha inspiração para começar o meu projeto e eu o considero como um 'padrinho'. A minha finalidade com o 'Reciclando através da leitura e do esporte' é fazer com que as crianças e adolescentes do meu bairro tenham acesso ao que todos deveriam ter direito: a leitura e o esporte. Pois, aqui na comunidade não há praça (de lazer), as mães precisam trabalhar mas não têm creche que possam deixar seus filhos. Com este abandono, eles podem trilhar algum caminho errado na vida. Inclusive, tenho parentes que dizem que sonho demais e que eu sou 'maluca' por catar lixo (no bairro). Eu faço isso para vender para reciclagem pois é a única renda do projeto. Quando eu não consigo uma quantia suficiente com a venda de material para reciclagem, às vezes coloco dinheiro de meu próprio bolso, porque além de comprar livros também ofertamos lanches para as crianças", explicou Roberta, que além de coordenar a ação sociocultural, também trabalha como babá e conta com a ajuda do marido, do padrasto e de duas amigas para a coleta de resíduos a serem vendidos nos pontos de reciclagens.


"O nome do projeto tem 'Reciclagem' porque a ideia inicial era tirar o lixo daqui do bairro em um campo, onde as crianças passavam para irem à escola. Atualmente, este local é uma referência para que elas possam brincar, assim como os adultos, por conta de nosso trabalho. No momento, estou encontrando dificuldades para fazer a venda porque não vejo muito a quem vender e por isso, vou ligando para as pessoas (e empresas) que trabalham com reciclagem e eu pergunto se podem vir à minha casa, onde fica armazenado este material descartável, e eu não tenho carro para poder tirar esses resíduos daqui", revelou a ativista comunitária.


A segunda vertente do projeto que é destinada a prática de futebol, momentaneamente está parada, contudo, existe esperança para que a bola volte a rolar em breve. 


"O nosso futebol, no começo tinha meninas até (dos bairros) de Quinta Dom Ricardo (da região de Santa Izabel), do Arsenal e do Barracão. Elas vinham de todos esses lugares para jogarem aqui. Eu optei pelo futebol feminino porque aos domingos, os meninos sempre jogam os seus 'rachas' e nunca tinha nada para as meninas. No momento, algumas delas estão desmotivadas e tem outras que querem voltar a jogar. Porém, ainda é preciso fazer uma reunião com todas para que possamos fazer algo para motivá-las novamente", finalizou.



Para quem quiser doar livros para a iniciativa sociocultural, basta entrar em contato pelo Whatsapp pelo número (21)987512564 e aos que querem conhecer mais sobre o 'Reciclando através da leitura e do esporte', basta fazer download da apresentação em slides, feita por Roberta, através deste link: http://www.filedropper.com/slide 

'Reciclando através da leitura e do esporte' funciona todos os sábados pela manhã na casa de Roberta, no Pacheco
'Reciclando através da leitura e do esporte' funciona todos os sábados pela manhã na casa de Roberta, no Pacheco. Foto por Divulgação
Crianças e adolescentes têm acesso ao 'mundo da leitura'
Crianças e adolescentes têm acesso ao 'mundo da leitura'. Foto por Divulgação
Livros são disponíveis a todos os alunos do projeto
Livros são disponíveis a todos os alunos do projeto. Foto por Divulgação
A parte esportiva da ação social no momento está com as atividades paradas, porém, existe a chance de um retorno do time
A parte esportiva da ação social no momento está com as atividades paradas, porém, existe a chance de um retorno do time. Foto por Divulgação
Futebol feminino promove integração entre as jovens do Pacheco
Futebol feminino promove integração entre as jovens do Pacheco. Foto por Divulgação
Dani Barros e Jacques Douglas ajudaram Roberta no projeto ligado ao futebol feminino em sua comunidade
Dani Barros e Jacques Douglas ajudaram Roberta no projeto ligado ao futebol feminino em sua comunidade . Foto por Divulgação
Roberta foi ao Pita conhecer Douglas Oliveira e visitar o projeto Primeira Chance, que ela conheceu através da televisão por meio do programa 'Como será
Roberta foi ao Pita conhecer Douglas Oliveira e visitar o projeto Primeira Chance, que ela conheceu através da televisão por meio do programa 'Como será?' da TV Globo. Foto por Divulgação
Na apresentação de seu projeto. Roberta registrou as precárias condições de seu bairro, das quais os moradores eram obrigados a conviverem.
Na apresentação de seu projeto. Roberta registrou as precárias condições de seu bairro, das quais os moradores eram obrigados a conviverem. . Foto por Divulgação

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