Uma luz no fim do túnel

Enviado Direto da Redação
Por Thiago Soares
Perder os pais por conta do tráfico de drogas poderia ser traumático para qualquer um, porém para Douglas Oliveira, de 26 anos, morador da Comunidade do 40, no Pita, em São Gonçalo, acabou sendo um pontapé para ajudar outras pessoas. Tentando fazer a infância das crianças melhor do que a sua, o jovem criou o projeto social "Primeira Chance", que auxilia, com aulas de reforço, nos estudos de alunos do ensino fundamental.
Fundado há um ano, o projeto funciona na casa do próprio Douglas e é, na visão dele, uma luz no fim do túnel para as crianças da localidade. De acordo com o jovem, assistir a morte de seus pais, amigos e conhecidos o motivou a tentar mudar o rumo dos acontecimentos. "Quando eu era criança, meus pais, que viviam uma vida errada, foram assassinados. Atualmente, a minha história se repete na vida de outras crianças e não está certo. Tentando mudar isso, criamos o projeto pois no nosso ponto de vista, a educação é a única maneira de diminuir a violência. Criei o Primeira Chance para que as crianças não necessitem ter uma segunda", disse Douglas, que é inspetor escolar.
Dando aulas de reforço para alunos de idades variadas mas cursando todos os anos do ensino fundamental, Douglas conta com alguns colaboradores, que são os professores Antônio Quaresma, Fernanda da Costa Coelho, Fabrício Sales, Nino Mauro e Bruno Guahu. O projeto, que funciona nas tardes de sábado, entre 15h e 18h, faz parte de um grande sonho de vida de seu idealizador.
"Temos quase 50 crianças dos morros do 40 e da Alegria e cada vez chegam mais. Atualmente, as coisas acontecem muito na base da troca. Se alguém te ajuda é porque quer algo a seu favor, e não faço deste jeito. Meu sonho é parar de ir em enterros e começar a frequentar formaturas", contou esperançoso.
Antes mesmo de oficializar o projeto, Douglas já tentava, por meio do futebol, ocupar o tempo das crianças da comunidade. Porém, com a chegada de um destacamento da Polícia Militar, que se baseou exatamente no campo onde usavam, isso não foi mais possível.
"Acabamos perdendo nosso campinho. Ali foi onde começou mesmo, sem ser algo oficial. Mas a Polícia Militar chegou, ocupou o lugar e acabou com isso. Acredito que houve uma falta de respeito por parte do Estado. Essa era nossa única área de lazer, na qual as crianças se divertiam", lamentou.
O posicionamento da PM no campo foi a segunda grande triste notícia que o local deu a Douglas. Alguns anos antes, foi naquele lugar que ele recebeu a notícia do assassinato de sua mãe. "Eu estava lá, jogando bola. Quando olhei para o lado, dois amigos da minha mãe pareciam brigar, já que ninguém queria me dar a notícia. Fiquei sabendo ali que minha mãe havia morrido. Anos depois quase perdi novamente algo importante no mesmo lugar", disse emocionado. Sem muito dinheiro para levar o projeto, Douglas revela que precisa de doações. Ele, no entanto, não mede esforços para continuar sempre dando a melhor estrutura possível para seus 'alunos. 
"Não temos muito dinheiro, mas temos muita ajuda. Temos uma página no Facebook chamada Projeto Primeira Chance, na qual as pessoas podem conhecer a iniciativa e, se possível, nos ajudar. Mesmo sem dinheiro, tento sempre dar condições às crianças. Quem não puder contribuir financeiramente, pode ajudar com alimentos", contou informando ainda que os telefones para mais informações são 97688-4969 e 97614-8551 (Paola).

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