Festival de Cinema Europeu Imovision abre segunda edição em Niterói
Evento reforça espaço do cinema europeu fora do circuito mainstream no Brasil

O Reserva Cultural de Niterói deu o pontapé inicial à segunda edição do Festival de Cinema Europeu Imovision nesta quarta-feira (22). Neste ano, o evento reúne 14 filmes inéditos e reconhecidos internacionalmente: cinco produções francesas, três alemãs, três italianas, além de um filme da Espanha, um da Suíça e um da Polônia.
A cerimônia de abertura contou com a partição de Jean-Thomas Bernardin, fundador da Imovision, e foi mediada por Marcelo Janot, contando ainda com com a presença de quatro diretores e uma atriz, cujas obras entram em cartaz para o público entre os dias 23 e 29 de abril. Janot destacou a relevância do festival no contexto brasileiro.

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“Temos vários festivais internacionais no Brasil, dedicados ao cinema francês, ao cinema italiano. Mas um festival dedicado ao cinema europeu de uma maneira mais ampla só esse. O sucesso ano passado prova que há um interesse muito grande do público brasileiro pelo cinema europeu.”, disse.
Waldemar Dalenogare, um dos críticos de cinema convidados, comentou sobre suas expectativas para o evento.

“O circuito europeu de cinema no mercado cinematográfico brasileiro tem uma distribuição bem limitada. Então quando você tem uma organização para conseguir trazer esse tipo de exposição, trazer filmes fora do circuito mainstream, é sempre bem vindo. Estou muito interessado neste festival, a seleção é excelente.”, comentou.
O diretor espanhol Julio Medem foi o primeiro convidado a falar. Ele destacou a surpresa positiva ao descobrir a existência de um festival dedicado ao cinema europeu no Brasil. No evento, o cineasta apresenta “8 Décadas de Amor”, uma narrativa que acompanha a trajetória de um casal ao longo dos anos, atravessando grandes acontecimentos históricos, como a Guerra Civil Espanhola.

Em seguida, a atriz italiana Bárbara Ronchi comentou sobre sua participação em “Diva Futura”. O longa retrata a criação de uma agência erótica na Itália dos anos 1980, em meio à Revolução Sexual, explorando a transformação do ideal de amor livre em um fenômeno da cultura pop.

A diretora de “Beladona”, Alanté Kavaïté, afirmou que buscou inspiração em medos pessoais e em observações da sociedade para desenvolver o filme.

“Na França, as crianças têm cada vez menos contato com a morte. É algo que escondemos no cotidiano, que surge de repente. Nunca mais vemos o carro que transporta o corpo. A morte está oculta na sociedade. Quis trabalhar com um personagem que se recusa a encará-la. O filme propõe que não adianta lutar contra a morte, ela é um processo natural”, explicou.
Encerrando a apresentação, os irmãos gêmeos Ludovic e Zoran Boukherma falaram sobre “E Seus Filhos Depois Deles”, adaptação do romance de Nicolas Mathieu. A obra acompanha a transição da infância para a vida adulta de Anthony, um jovem do leste francês, durante o verão de 1992. Ludovic também ressaltou a relevância do festival para o setor. “Gostaria de agradecer todos os esforços feitos para defender as salas de cinema. Considero essa uma luta fundamental”, afirmou.

