Preparativos para a Flip 2026 mobilizam editoras e autores independentes da região
Editoras de Maricá e Niterói já se organizam para marcar presença no evento

A Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), um dos mais importantes eventos literários do país, já mobiliza autores e editoras independentes para a edição de 2026. Realizada anualmente na cidade histórica de Paraty, no litoral sul do Rio de Janeiro, de 22 a 26 de julho, o evento retorna ao seu período tradicional no meio do ano, destacando a poeta Orides Fontela como autora homenageada. A festa também reúne escritores, editoras, leitores e profissionais do mercado editorial em uma programação que inclui debates, lançamentos de livros, mesas literárias e atividades culturais.
Para editoras independentes, o evento representa uma oportunidade de ampliar a visibilidade, estabelecer conexões no mercado e apresentar novos autores ao público. Editoras da região de São Gonçalo, Niterói e cidades próximas já se organizam para marcar presença no evento.
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Poesia contemporânea na programação

Criada em 2024 pelas irmãs e melhores amigas, a designer Isabel Fernandes, designer, e a editora Letícia Fernandes Leal, de 32 anos, a Xará é uma pequena editora voltada principalmente à publicação de poesia brasileira contemporânea.
Para participar da Flip 2026, a editora já iniciou os preparativos e firmou parcerias para viabilizar a presença no evento. “Fechamos uma parceria com a Casa Gueto, uma iniciativa da Editora Patuá que reúne várias editoras independentes. Também estamos preparando alguns lançamentos que vão acontecer durante a Flip e levantando recursos para custear nossa ida ao evento”, explica Letícia.
A editora já participou da edição de 2024 da festa e pretende retornar neste ano com autores de diferentes regiões. “Nosso catálogo tem autores de São Gonçalo, Niterói, Maricá e Rio de Janeiro, além de escritores de outros estados, como São Paulo, Paraíba e Acre. Autores de perto e de longe estarão com a gente lançando livros e participando da programação”, conta.
Segundo Letícia, a Flip tem um papel fundamental para editoras independentes no cenário editorial brasileiro. “Participar amplia a visibilidade das editoras independentes. Isso contribui para a bibliodiversidade no mercado do livro. Além disso, é um espaço muito especial de encontro com outros profissionais, autores e, principalmente, com leitores apaixonados por literatura”.
A editora também faz um convite ao público para conhecer seu catálogo durante o evento. “Eu faria um convite, principalmente, à poesia. Muitos leitores, mesmo aqueles que já amam contos e romances, sentem estranhamento com livros de poesia. Pensam nesse gênero como algo difícil ou distante. O catálogo da Xará foi pensado para aproximar a poesia do cotidiano. Será um prazer apresentar nossos livros e autores. Experimentem poesia! Esperamos por vocês na Casa Gueto.”
Catálogo diverso e presença consolidada

Outra editora que se prepara para participar da Fip é a Itapuca, criada pelos sócios Celso Possas Junior, autor, tradutor e editor, e Juliana Possas, produtora editorial. A editora começou pequena, mas ganhou espaço no mercado com a proposta de produzir livros de qualidade e manter uma relação próxima com seus autores.
Segundo Celso Possas Junior, a expectativa para a edição de 2026 é positiva, especialmente após os resultados do evento no último ano. "Estamos animados. A Flip 2025 foi muito boa e a organização melhorou o local chamado Praça Aberta. Ficamos mais próximos ao fluxo dos leitores e a cidade estava lotada. Temos a expectativa de outra edição forte em 2026".
A editora já participa do evento há quatro anos e pretende manter presença ativa na programação. “Já participamos em uma das casas editoriais, mas gostamos mais de um estande próprio na Praça Aberta.” Durante o evento, a Itapuca levará autores para lançamentos e sessões de autógrafos. “Vamos ter pelo menos 15 autores da Itapuca presentes e autografando. Faremos lançamentos, conversas e apresentações infantis.”
Para o editor, além das vendas, a Flip é uma oportunidade importante de networking dentro do mercado editorial. "Há sempre muito contato com autores, editores, gráficas e demais profissionais da área, além dos leitores, obviamente".
“Os leitores sempre se surpreendem com o acervo da Itapuca. Temos obras de Tolstói, Dostoievsky, Júlio Verne, Lima Barreto e Machado de Assis, além de 134 autores brasileiros com dezenas de livros infantis, suspense, poesia, drama, contos e distopias. É uma diversidade que encanta os leitores", completa.