No Dia do Eletricista, a prevenção é o foco
Profissionais trabalham sob risco de vida

O eletricista também é responsável pela instalação e manutenção da rede em locais públicos
Foto: DivulgaçãoPor Cyntia Fonseca
O Dia do Eletricista foi celebrado ontem. Mas para lembrar a data que homenageia o profissional técnico responsável pela instalação e manutenção da rede elétrica em empresas e residências, nada melhor do que falar sobre prevenção.
Segundo estudo encomendado pelo Instituto Brasileiro do Cobre (Procobre), 1.122 pessoas sofreram acidentes elétricos no país em 2014, sendo 627 delas vítimas fatais. Para o diretor executivo do Procobre, Antonio Maschietto Junior, a situação mais crítica é a das autoconstruções, ou seja, quando a instalação elétrica da residência é feita pelos chamados eletricistas informais.
“O estudo revela que 90% não contam com a participação de mão de obra capacitada em serviços elétricos, e 75% não dispõem de projetos elétricos. Isso é uma prova de que ainda existe muita informalidade no setor”, explica Maschietto Junior.
O cenário fica ainda pior quando o caso envolve eletricidade pública e tanto profissionais da área quanto informais são contratados para praticarem o furto de energia, o “gato de luz”, ou ainda fazer outros tipos de ligação elétrica sem as devidas precauções.
Este ano, em São Gonçalo, vários casos de acidentes com vítima fatal comprovam essa realidade. Em maio, o eletricista Alex Sandro da Silva, 42 anos, morreu ao tomar um choque elétrico de aproximadamente 12 mil volts, no momento em que mexia numa rede de energia num poste, no Paraíso. No início deste mês, de forma semelhante, Antônio Barbosa D’Almeida, 43, morreu eletrocutado ao fazer reparos em Alcântara.
Empresa combate ‘gatos’
A concessionária de energia Ampla informa que, periodicamente, realiza ações de combate ao furto de energia nos municípios de sua área de concessão e realiza projetos sociais sobre uso eficiente de energia. Além disso, esclarece que, além de ser crime, com pena prevista de um a oito anos de reclusão, os “gatos de luz” afetam a qualidade do serviço prestado. Somente este ano, na região, foram 130 prisões e 458 registros de ocorrência de ligações clandestinas, em 37 operações.
Para o presidente do Sindicato da Indústria de Instalações Elétricas, Gás, Hidráulicas e Sanitárias do Estado do Rio de Janeiro (Sindistal), Fernando Carlos Cancella, a ligação clandestina é prejudicial em todos os sentidos.
“Ela sobrecarrega a rede elétrica, podendo causar panes nos transformadores, e consequentemente, falta de luz. Além disso, toda sociedade paga a conta de luz de quem faz ‘gatos’, pois a concessionária rateia o preço da tarifa entre os clientes, que têm o valor aumentado”, explicou.
Segundo Luciano Menezes, engenheiro eletricista associado ao Sindistal, uma série de fatores favorecem a prática das ligações clandestinas, entre elas o alto custa da energia e a demarcação de locais como “área de risco”, onde não há controle da concessionária nem das autoridades públicas.
Para denunciar o furto de energia, os clientes podem acessar o site da concessionária (www.ampla.com) ou o Twitter (@amplaenergia), sem precisar se identificar. Entre as dicas de prevenção a acidentes estão não energizar cercas de arame na propriedade; não efetuar trabalho de instalação elétrica sem desligar o disjuntor; não remover ou tocar fios encontrados na rua e não podar árvores cujos galhos estejam encostados em redes elétricas.
Qualificação - Eletricistas profissionais contam com o Programa Eletricista Consciente, da Procobre, em parceria com a Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel).