Economista dá dicas para organizar o pagamento das contas de janeiro
Planejamento é solução para não acumular dívidas

Janeiro é o mês da renovação, da esperança de um ano melhor e do planejamento de diversas metas. No entanto, o primeiro mês do ano não é marcado apenas pelo começo de um novo ciclo, mas também por uma série de despesas. Além das contas habituais, IPTU, IPVA e material escolar precisam ser inseridos no orçamento - sem contar com a fatura do cartão de crédito, que pode vir “salgada” por causa das compras de Natal. Para evitar a dor de cabeça, há uma única solução: planejamento.
“A regra básica é sair do endividamento”, explica Ricardo Teixeira, coordenador do MBA em Gestão Financeira da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Todos os trabalhadores do mercado formal recebem o 13º salário, além do salário normal, no final do ano. Mesmo que seja dividido em duas parcelas, esse adicional permite que se faça planejamentos e deve ser poupado para ser utilizado no pagamento das contas de início de ano, segundo o especialista.
“Quem não é empregado formal deveria ter se programado durante o ano. A economia viabiliza que as despesas sejam pagas à vista”, disse Ricardo.
Mas quem não se planejou e não pode contar com o 13º salário, não precisa se desesperar. Ainda dá tempo de se organizar. O primeiro passo, segundo o especialista, é colocar tudo no papel. Uma lista com todas as despesas deve ser feita e, a partir dela, deve-se selecionar as contas as que serão pagas à vista e as que precisarão ser parceladas.
Pagamento à vista – Os descontos para o pagamento à vista de IPTU e IPVA costumam valer a pena e devem ser aproveitados sempre que possível. Entretanto, caso o valor ultrapasse o orçamento, é necessário fazer escolhas.
“Coloque tudo no papel e faça uma seleção. As contas que geram mais juros no parcelamento devem ser pagas à vista e as que tem juros mais baixos podem ser parceladas”, alerta o economista.
Já na hora de comprar o material escolar das crianças, as regras essenciais são: fazer uma pesquisa minuciosa de preços e “chorar” um bom desconto. Caso consiga um abatimento significativo no valor, o pagamento deve ser feito à vista. Caso não, as compras podem ser parceladas, mas o dinheiro para pagar as parcelas deve ser reservado.
O gonçalense Fabiano Coutinho, de 42 anos, costuma se organizar durante todo o ano para quitar as contas de janeiro de uma única vez.
“Pago o IPVA à vista, independente do desconto, até mesmo para não ter problemas com a fiscalização. O IPTU, pago à vista, porque além de aproveitar o desconto, não preciso me preocupar com mais essa conta no orçamento no restante do ano”, conta.
Já o material escolar de sua filha, de 4 anos, Fabiano paga de duas formas diferentes. Uma parte ele paga à vista e a outra é parcelada. “Pago parte do material escolar parcelado, mas em apenas três vezes. Não prolongo os pagamentos para não prejudicar outros compromissos”, afirma.
Servidores do Estado – Gleise Ferreira, 65, é professora aposentada pelo Estado e com os salários e benefícios atrasados, se preocupa por não conseguir planejar o pagamento de suas despesas.
“Todo ano, eu planejava certinho e pagava tudo à vista para aproveitar os descontos. Mas hoje, eu vivo nessa incerteza. Sem receber os salários, não consigo mais organizar minhas contas e acabo pagando juros altíssimos”, desabafou a aposentada.
Empréstimo – De acordo com o especialista, empréstimos devem ser evitados a todo custo. Uma vez que o pagamento destes geram juros sobre juros e acabam saindo muito mais caros do que os parcelamentos das próprias contas.
(Thaís Gesteira)