Sem dinheiro, Uerj pode fechar

Em carta ao governador Luiz Pezão, reitora cobra pagamento de salários de novembro e de bolsas

Enviado Direto da Redação
Campus da Faculdade de Formação de Professores da Uerj, no Paraíso, em SG, é um dos que pode fechar

Campus da Faculdade de Formação de Professores da Uerj, no Paraíso, em SG, é um dos que pode fechar

Foto: Leonardo Ferraz

Em carta enviada ao governador Luiz Fernando Pezão, a reitora em exercício da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Maria Georgina Muniz Washington, afirma que a instituição pode paralisar as atividades em todas as unidades do Estado, inclusive o campus do Paraíso, em São Gonçalo, devido à falta de pagamento, desde novembro, dos salários, bolsas e verbas de custeio.

A decisão de enviar a carta foi tomada na reunião do Conselho Universitário, na última sexta-feira, e inclui o Hospital Universitário Pedro Ernesto. No documento, o Conselho reafirma “a necessidade do pagamento integral de seus servidores (ativos e inativos) e a liberação dos recursos orçamentários necessários ao funcionamento imediato e permanente da Uerj”.

Segundo a sub-reitora de Graduação, professora Tania Maria de Castro Carvalho, o desgaste e desprestígio com o não recebimento de verbas vem desde 2015, mas chegou a uma situação insustentável. “Desde meados de 2015 isso já começou a se aprofundar. Ainda não recebemos as bolsas, nem os salários dos professores e servidores, exceto os técnicos administrativos que são do hospital Pedro Ernesto e trabalham na área de saúde. São os únicos que receberam o salário de novembro”, disse.

A falta de pagamento chegou a todos os setores, o que impossibilita a universidade de abrir as portas. “A Uerj tem funcionado precariamente, às vezes sem luz, sem internet, o serviço de limpeza é pago com atraso, segurança, restaurante universitário. Mas, principalmente, com atraso nas bolsas dos estudantes. São mais de 9 mil cotistas que têm a bolsa-permanência, que é uma verba do governo federal para permanência de quem tem baixa renda comprovada, além dos alunos bolsistas dos projetos da universidade que também estão sem receber desde novembro”, alerta.

Ela explica que nunca houve divisão da folha -como ocorreu agora, em que apenas os servidores do hospital receberam - e que a Uerj como um todo luta pelo pagamento integral. “O governo está inviabilizando que nós estejamos com as portas abertas para cumprir a nossa missão com a sociedade”, disse Tânia, destacando que “a Uerj se recusa a participar do desmonte da educação pública e da saúde pública no estado e no país. Essa é a posição inabalável da nossa universidade”, afirma.

Sem previsão - O governo do estado não confirmou o recebimento da carta da universidade. A Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia informa que assuntos de pagamento são atribuição da Secretaria de Fazenda que, por sua vez, respondeu à Agência Brasil que “desde o início do agravamento da crise financeira, a prioridade absoluta é o pagamento dos salários dos servidores do Estado”. Sem previsão de data, a Secretaria diz que “os repasses serão regularizados tão logo haja disponibilidade de recursos em caixa”.

Segundo a sub-reitora da Uerj, a folha de pagamento de salário do pessoal docente e técnicos administrativos ativos e inativos é de R$ 80 milhões por mês e a verba para manutenção e custeio de todos os campi da universidade é de R$ 23 milhões. (Agência Brasil)

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