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Espaço Unidas pela Vida em São Gonçalo oferece implantes capilares gratuitos à mulheres na luta contra o câncer

O projeto é uma parceria com o salão da cabeleireira Lene França, no bairro da Trindade

relogio min de leitura | Pedro Di Marco 30 de junho de 2021 - 08:15
Trabalho devolve a autoestima dessas mulheres
Trabalho devolve a autoestima dessas mulheres -

O processo de tratamento de um câncer não é fácil para ninguém, mas pode se tornar ainda mais complicado quando envolve vários outros fatores, como o alto custo dos remédios e procedimentos ou a perda da mama, dos cabelos e, consequentemente, da autoestima das pacientes. Foi pensando nisso, que a coordenadora do Espaço Unidas pela Vida em São Gonçalo, Patrícia Silva, de 39 anos, começou, ainda em 2017, um projeto cujo propósito é fornecer suporte às mulheres acometidas pela doença. O programa, que hoje atende a mais de 800 mulheres, atua no Centro Oncológico do município, no bairro Zé Garoto, e conta agora com um novo serviço, a aplicação de implantes capilares gratuitos à mulheres na luta contra o câncer.

A iniciativa surgiu de uma necessidade das próprias pacientes e tem como objetivo auxiliar essas mulheres, que muitas vezes acabam sendo abandonadas por seus parceiros durante o tratamento, a recobrar sua esperança e amor-próprio. A coordenadora do projeto, explica.

“A paciente quando inicia o processo e perde o cabelo, a primeira necessidade dela é usar a peruca. Quando o cabelo começa a crescer, ela já não quer mais. Ela quer ver seu cabelo grande, mas o processo de crescimento às vezes demora. Então a gente passou a atender essa necessidade das pacientes também, através da parceria com a Lene França. A gente recebe o cabelo aqui na unidade, tece ele, passa para a Lene e ela faz todo o processo de aplicação gratuitamente.”

Para a cabeleireira Lene França, de 39 anos, o projeto que em maio deste ano passou a oferecer os implantes às pacientes do Espaço Unidas pela Vida, já é um desejo antigo. Lene, que há 4 anos descobriu 6 nódulos no pulmão, explica que após passar por todo o processo, desde a descoberta da doença até o recebimento de sua alta provisória, decidiu que queria fazer algo para ajudar quem estivesse passando pelo o que ela passou. Foi assim que a cabeleireira, que há 24 anos trabalha com a profissão, teve a ideia de oferecer seus serviços ao programa.

“Eu comecei com um projeto de arrecadação de cabelo, mas eu precisava arrumar algum lugar para onde enviar esses cabelos e foi assim que eu conheci a Patrícia e o projeto dela. No primeiro momento a gente já se identificou muito e com isso começamos a trabalhar juntas. Consequentemente, algumas pacientes já estavam deixando a peruca, o cabelinho já tinha começado a crescer um pouco e, por já trabalhar com o alongamento há 16 anos, eu decidi oferecer esse serviço.”

Por se tratar de uma técnica de Invisible Hair, na qual a presença do implante se torna quase imperceptível ao olhar alheio, conferindo maior naturalidade ao trabalho e segurança às pacientes, a aplicação é altamente trabalhosa e custosa, cerca de R$1.500 por pessoa. Contudo, apesar do alto custo de manufatura e dedicação que exige, o trabalho é motivo de grande júbilo para Lene.

“Conforme você vai perdendo o cabelo, você começa a não se reconhecer mais, você vai perdendo aos poucos a autoestima. Então, saber que eu estou ajudando a restaurar a autoestima dentro dessas mulheres pra mim não tem preço, é muito gratificante!”

Em função do alto custo e tempo exigidos pelo alongamento, atualmente, o Espaço Unidas pela Vida oferece o tratamento a 2 mulheres por mês. Mas, a coordenadora do projeto afirmou que pretende ampliar o atendimento e levar o serviço ao maior número de mulheres possíveis, através da busca por mais cabeleireiros dispostos a ajudar a causa. Além disso, as responsáveis alertaram sobre a importância das doações de cabelo para a continuidade do programa. As doações são recolhidas no Centro Oncológico da Rua Dr. Francisco Portela, 2641, onde também são oferecidos cortes gratuitos toda segunda-feira de 10h às 16h, aos interessados em doar.

O programa também promove outras iniciativas como o fornecimento de kits pós-cirúrgicos, a arrecadação de roupas, alimentos e medicamentos para as pacientes, o acompanhamento em domicílio e outras parcerias, como a feita com tatuador Johny Tattoo, para o redesenho das aréolas dos seios e cobrimento de cicatrizes decorrentes do tratamento.

"A gente consegue, através deste projeto, levar esperança, solidariedade, dizer a essa mulher que ela não está sozinha, e que é possível vencer. O câncer não é um ponto final, é uma vírgula. Elas vão dar continuidade a vida delas e podem ser lindas e continuar se sentindo mulheres, porque mesmo perdendo o cabelo ou os seios, elas não perderam sua essência. O objetivo é fazer elas perceberem isso.”, concluiu Patrícia.

Estagiário sob supervisão de Marcela Freitas 

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