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Conta de luz mais cara: bandeira tarifária vermelha tem aumento de 52%

Mudança aprovada nesta terça-feira (29) representa aumento de R$3,26 na conta

relogio min de leitura | Redação 29 de junho de 2021 - 16:40
Novo acréscimo passa a valer já nas coletas realizadas no mês de julho
Novo acréscimo passa a valer já nas coletas realizadas no mês de julho -

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nesta terça-feira (29) o aumento de 52% no valor extra cobrado pela bandeira tarifária vermelha patamar 2 na conta de luz da população. Com o reajuste, que passa a valer já nas coletas realizadas no mês de julho, cada 100 quilowatts-hora consumido passa de R$6,243 para R$9,49.

"É um sinal claro de que consumir energia até a chegada do próximo período único está mais caro", mencionou o presidente da Aneel, André Pepitone, ao se declarar favorável ao aumento. Pepitone afirmou que o atual momento é "excepcional" e lembrou que o país atravessa a pior crise hídrica dos últimos 91 anos.

"Não estamos promovendo aumento porque gostamos ou queremos. É uma realidade, o custo está presente. O que estamos decidindo é o que fazer com esse custo, se apresentamos agora ou depois, com a correção da Selic”, explicou.

Criado em 2015, o sistema de bandeiras tarifárias tem como objetivo alertar a população sobre o custo da energia produzida no Brasil e conscientizar a população para um uso mais adequado durante os períodos com maior uso das usinas térmicas, que produzem energia mais cara.

Pepitone comparou o fato de recorrer às usinas térmicas à contratação de um seguro para comprar um novo carro. "O parque térmico está lá, mas desejamos usá-lo. Mas, em um caso ruim, temos que usar o seguro. É o que está acontecendo agora, porque não temos água nas hidrelétricas e temos o nosso seguro", destacou ele, ao dizer que as bandeiras modelam o custo adicional.

O reajuste anunciado nesta terça-feira (29) é maior que o aumento proposto por uma consulta pública realizada pela Aneel em março deste ano. O relator da ação, Sandoval Feitosa, defendia uma elevação de apenas 4%, o que equivale a um aumento de R$025 na tarifa vermelha patamar 2. Nessa proposta, o valor total seria de R$6,494. 

"Tínhamos uma proposta para ser julgada, mas as variáveis ambientais levantaram a discussão desse ponto importante que produz a matriz de custo da população e da economia. Não foi fácil. É muito difícil se prever chuvas e, mais difícil ainda, prever os efeitos decorrentes da falta ou de uma chuva menor do que a esperada", explicou Feitosa. Ele calcula que a manutenção dos valores ocasionaria em um déficit de R$ 5 bilhões até dezembro.

O diretor Efrain Cruz defendeu uma decisão mais suave devido ao momento de dificuldade enfrentado por boa parte dos consumidores devido à pandemia de Covid-19. "Em momentos de crise, a gente cumpre a regra para não incorrer em alguns erros", pontuou, destacando ainda que a economia popular está "assolada" pela crise sanitária.

Cruz apontou também que o aumento na conta não reflete uma redução de consumo da população e recorda que o Brasil já operou com déficit superior a R$ 4 bilhões. Segundo ele, essa situação permitiria um reajuste mais brando neste momento até a realização de uma nova revisão prevista para ser realizada em agosto.

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