Desabafo de uma mãe na DP
Vendedora, de 38 anos, relata drama ao encontrar filho, de 17, apreendido pela segunda vez

O filho da vendedora (E) foi apreendido com drogas junto com outro menor de 13 no Fonseca, Niterói
Foto: DivulgaçãoPor: Renata Sena
“Eu tenho que agradecer muito por ele estar preso, não morto. É um livramento para ele cumprir o que deve enquanto ainda é menor de idade. Eu tentei de tudo para tirar ele dessa vida, mas ainda não consegui”. As palavras são de uma vendedora, de 38 anos, que pela segunda vez, em menos de dois meses, viu ontem o filho, de 17, ser apreendido pelo crime de tráfico de drogas. Segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP), houve um aumento de cerca de 45% de apreensão de menores em Niterói de janeiro a agosto desse ano em relação ao mesmo período de 2014. Foram 256 registros no ano passado,; e 317 em 2015.
O adolescente, de classe média começou mudar o comportamento quando tinha 15, e as atitudes estranhas logo atraíram a atenção da mãe, que tentou o que pode para mudar o caminho do menino, que acabou apreendido, na manhã deste domingo, junto com outro adolescente, de 13, na comunidade da Palmeira, no Fonseca, Zona Norte de Niterói.
Policiais do Grupamento de Ações Táticas (GAT) do 12º BPM (Niterói) contaram que foram à comunidade realizar uma operação para reprimir a ação de traficantes do local, quando surpreenderam os adolescentes numa casa, na comunidade. Com eles, segundo a polícia, foram apreendidas 337 cápsulas de cocaína, quatro rádios transmissores e uma granada de uso restrito das forças armadas.
Os acusados foram encaminhados à central de flagrantes da 78ª DP (Fonseca), onde acabaram autuados por fato análogo ao crime de tráfico de drogas.
‘Tentei de tudo para tirá-lo disso’
“No início, cheguei a dar sonífero para ele não sair de casa. Mas mesmo com sono, ele saía. Já fui até na boca de fumo buscá-lo. Mudei a vida da minha família para livrá-lo do problema e nada. Minha filha mais nova chora porque não gosta de onde a gente mora atualmente. Comprei um videogame para prendê-lo em casa, ainda estou pagando. Nada nosso é roubado. Tudo de valor que ele tem fomos nós que compramos, não o tráfico. O quarto dele é maior que a casa onde ele estava vivendo e foi apreendido. Quando ele foi apreendido pela primeira vez, depois de ficar um mês detido, ele fugiu. Tentei que ele se entregasse, mas não consegui. Avisei que se ele fizesse novamente não viria mais à delegacia. Mas sou mãe e precisava saber como ele estava. Não estou passando a mão na cabeça dele, só porque é meu filho. Ele tem que pagar pelo que fez. Mas rezo para que nenhuma mãe sofra nas mãos dele’.