Agiotas tinham ‘sala da tortura’ em Alcântara

Na ação, 12 pessoas acabaram presas, seis delas em diferentes bairros de São Gonçalo
Foto: Leonardo FerrazPor Marcela Freitas
Ao desarticularem quadrilha de agiotas que agia em São Gonçalo e municípios da Baixada Fluminense, agentes da 52ªDP (Nova Iguaçu/Centro) descobriram uma sofisticada sala, com revestimento acústico, que era usada para extorquir e torturar as vítimas do bando.
A sala - coberta com placas de isopor - funcionava em pleno centro comercial de Alcântara, no quarto andar do edifício comercial Tavares, na Rua João Caetano. No endereço, os agentes apreenderam diversos documentos.
Em outro ponto do bairro, no Centro Clínico Alcântara, na Rua Nestor Pinto Alves, quatro homens foram presos em flagrante, no momento em que trabalhavam num escritório de agiotagem. Outros duas pessoas foram presas em São Gonçalo, uma no Porto Novo, também São Gonçalo, e outra em Itaboraí.
A ação desencadeada pela delegacia de Nova Iguaçu contou com o apoio de 130 agentes de delegacias da Baixada e visava cumprir 20 mandados de prisão e nove de busca apreensão, expedidos pela Justiça. Doze 12 pessoas foram presas.
Segundo as investigações, que duraram um ano, os envolvidos eram especialistas em praticar extorsão por agiotagem. As vítimas pegavam empréstimos com juros abusivos de 30% ao mês e acabavam virando reféns de cobranças abusivas, humilhações e ameaças.
“Nos últimos seis meses, monitoramos seis contas da quadrilha com movimentações de R$ 300 mil ao mês, o que totaliza R$ 1,8 milhão neste período. As vítimas pagavam todos os meses e não conseguiam quitar os débitos. Quando elas atrasavam os pagamentos eram extorquidas e ameaçadas de morte”, explicou o policial que coordenou a operação.

Escritórios eram preparados com revestimento acústico
De acordo com os agentes responsáveis pelas investigações, a “sala da tortura” era utilizada pelos criminosos para fazer as cobranças aos devedores por telefone e de forma presencial.
Os policias chegaram até o endereço após vítimas da quadrilha na Baixada informarem que estavam sendo ameaçados por bandidos, que também agiam em São Gonçalo.
A audácia dos bandidos em preparar uma sala com isolamento de som chamou a atenção até dos experientes policiais. O revestimento acústico impedia que o som fosse propagado. A notícia de que no local funcionava um escritório de agiotagem pegou outros condôminos de surpresa.
No local, vários documentos e fichas de clientes do bando foram apreendidos. O mesmo aconteceu no Centro Clínico Alcântara, onde um carrinho precisou ser utilizado para retirar o montante de papeis.