"Isso não vai ficar impune!", garante famílias de jovens que sofreram acidente em SG
O acidente causou a morte da jovem Franciany Vitória de Oliveira, de 18 anos

Quem matou Franciany? Desde o dia 05 de agosto, essa é a pergunta que ecoa na cabeça de amigos de familiares de Franciany Vitória da Silva de Oliveira, de 18 anos, vítima de um acidente fatal ocorrido na Rua Doutor Nilo Peçanha, na Estrela do Norte, São Gonçalo. A jovem cheia de planos e com um futuro inteiro pela frente, estava na garupa da motocicleta de seu noivo Lucas Quintanilha, de 19 anos, quando um motorista de um carro Fiat Argo na cor cinza, ainda não identificado, colidiu com a moto que os dois jovens estavam e acabou fazendo com que a jovem Franciany viesse a óbito, antes mesmo de chegar ao hospital. Lucas segue no hospital e deverá realizar uma cirurgia no cotovelo. A dor da família dos dois jovens é enorme,mas maior indignação deles no caso é que o motorista do carro vinha na contramão quando se chocou com a moto dos jovens e, mesmo após o acidente, esse mesmo motorista não parou para prestar socorro ao casal.
O acidente ocorreu por volta das 20h, quando Lucas levava Franciany em sua moto para o bairro do Mutondo, local onde a jovem morava. O motorista do Fiat Argo então apareceu na contramão e surpreendeu os jovens na moto. A moto e o carro acabaram colidindo. O acidente interrompeu os sonhos dos dois jovens que estavam noivos e pretendiam casar.
Segundo os familiares do casal, os motoboys e pessoas no local ligaram para eles, pelos celulares das vítimas, para informar do acidente e afirmaram que o motorista do carro não prestou socorro às vítimas. A ambulância chegou logo ao local e levou os dois jovens para o Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), mas Franciany não resistiu ao ocorrido e morreu ainda na ambulância.
Ainda sentindo muita dor pela perda da filha, o pai de Franciany falou com exclusividade para o jornal O SÃO GONÇALO e informou que pretende buscar justiça e encontrar o homem que acabou com os sonhos de sua filha. "Ela teve traumatismo craniano na mesma hora, por isso, acho que talvez ela não teria resistido nem com ele prestando socorro, já que o médico disse que não poderia ter feito nada porque chegou lá sem vida. Mas, se ele tivesse prestado socorro ele estaria fazendo a parte dele, porque é nosso dever. Para gente da família, está sendo muito doloroso, eles dois tinham planos e o sonho dela era trabalhar, ela tinha colocado currículo em todos os lugares, eles queriam ter a casinha deles", afirmou o pedreiro Manoel Eduardo Rosa, 41 anos.
O pedreiro ainda contou que a família busca conseguir as imagens de um posto de gasolina que se localiza na frente do local onde ocorreu o acidente. Segundo ele, com essas imagens, eles podem identificar a placa do envolvido no acidente. "Minha família está vivendo a base de remédio. Todos estamos muito nervosos. Para gente, está sendo muito difícil. Todos estamos muito abalados. O Lucas também sempre está chorando por causa da morte da noiva. Eu acho que para qualquer família encontrar o culpado é melhor, não queremos justiça com a próprias mãos, mas o culpado tem que pagar pelo que ele fez perante a Justiça. Enquanto não achar o culpado eu não vou sossegar! Eu sei que não vai trazer minha filha de volta, mas ele precisa pagar", desabafou o pai de Franciany.
A mãe de Lucas, Carla Cristina da Silva, de 37 anos, afirmou que se o motorista tivesse parado para prestar auxílio, o final dessa história poderia ter sido outra. "O Lucas só lembra do carro vindo na contramão. Tem diversos comércios com câmeras no local, mas nenhum estabelecimento quer fornecer o material, eles afirmam que só com ordem judicial. Queremos a placa para levar o motorista para a Justiça, pois ele tem que pagar pelo que fez com meus filhos, ele omitiu socorro, ele assassinou essa garota", afirmou a comerciante que foi endossada pelo marido Alexandre Quintanilha.
Quem também falou sobre o caso foi o cunhado de Franciany, que afirma que eles estão fazendo de tudo para obter as câmeras do local. "Essa pessoa tem que ser encontrada e para isso só as imagens das câmeras de segurança do local e nenhum comércio quer ceder. Alguns moradores até cederam a imagem da rua, mas nenhuma foca na placa do carro. Só conseguiríamos ver a placa com as imagens dos comércios que estão de frente para o local do acidente, mas ninguém quer dar. O Lucas, quando soube da morte de Franciany, entrou em desespero", afirmou o motorista de aplicativo João Luiz Pereira, mais conhecido como Júnior, de 27 anos.
Protesto
Manoel Eduardo Rosa, o pai de Franciany, resolveu, junto com amigos de sua filha e de seu genro, realizar um protesto para chamar a atenção das pessoas para o caso e, quem sabe, conseguir a ajuda dos estabelecimentos comercial do local do acidente.
"Faremos esse protesto para poder ver se chama mais a atenção do povo para saber se conseguimos chegar até o culpado. Ele não prestou socorro, só bateu e foi embora direto. Com isso, perdi minha filha. Eu poderia ter perdido meu genro também, porque com a falta de socorro do motorista, um ônibus quase atropelou ele quando ele estava desmaiado após o acidente, mas Deus enviou um motoqueiro no local que ajudou ele e chamou a ambulância. Isso não pode ficar impune! Hoje ele fez com a minha filha, mas amanhã pode ser com outro", disse o pedreiro.
O protesto pela vida de Franciany será realizado hoje (10), a partir das 14h, na Rua Doutor Nilo Peçanha, na Estrela do Norte, local onde ocorreu o acidente, e seguirá até o HEAT, unidade de saúde na qual a jovem Franciany faleceu.
Segundo o gerente de padaria, Caike Azevedo de Oliveira, de 20 anos, que é amigo do casal e organizador do protesto, o casal sempre foi muito querido e cheio de vida e alegria. Por isso, a ideia é chamar a atenção para o caso com camisetas com a foto de Franciany e dizeres como: "saudades eternas" e "as boas lembranças que tenho de você sempre vão secar as minhas lágrimas e me fazer sorrir" para se referir à jovem de 18 anos.
O pai de Franciany será ouvido na 72ª DP (Mutuá) onde o caso foi registrado. A jovem foi enterrada no Cemitério Municipal de São Gonçalo.
*Estagiária sob supervisão de Marcela Freitas