Caso João Pedro: Delegado pede para sair da Core e diz que não dorme há um mês

Sérgio Sahione afirmou que delegado que investiga o caso participou da operação

Escrito por Redação 18/06/2020 12:09, atualizado em 18/06/2020 12:57
O delegado Sergio Sahione pediu para deixar a Coordenadoria de Recursos e Operações Especiais (Core) da Polícia Civil
O delegado Sergio Sahione pediu para deixar a Coordenadoria de Recursos e Operações Especiais (Core) da Polícia Civil . Foto: Divulgação/ Alerj

O delegado que chefiou a equipe da Polícia Civil na operação que culminou na morte do menino João Pedro, Sergio Sahione, pediu para deixar a Coordenadoria de Recursos e Operações Especiais (Core) nesta quarta (17). Em depoimento para o Ministério Público, o delegado que chefiava os três agentes investigados pelo crime, inspetores Mauro José Gonçalves, Maxwell Gomes Pereira e Fernando de Brito Meister, disse que há mais de um mês que não consegue dormir, pensando no que ele poderia ter feito de diferente para evitar a morte do adolescente de 14 anos.

O delegado relembrou em depoimento, o momento em que o pai de João Pedro foi até à Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSGI) na noite do dia 18 de maio, em busca de informações sobre o menino. Sérgio Sahione se diz arrependido e que queria ter pedido desculpas ao pai naquele dia. Disse ainda que ele não havia sido treinado para lidar com isso, mas que em nenhum momento ele esteve alheio à dor dele.

Sahione citou também em depoimento o mal estar que estaria dentro da coordenadoria. Ele detalhou que a divisão de elite da Polícia Civil possui quatro veículos blindados, mas apenas dois estavam funcionando na noite da operação. Um desses veículos não conseguiria segurar disparos de fuzis calibres 5,56 ou 7,62 e que mesmo diante desta precariedade estava cumprindo uma “função nobre”, mas “não vale a pena”.

O ex-titular da Core afirmou também que o delegado titular da DHNSGI, Allan Duarte, chegou ao local no mesmo dia do crime. Sahione disse que o colega não fazia parte da operação e que ele realizou reconhecimento do terreno para uma outra finalidade. Além disso, segundo o depoimento, teria sido Allan que pediu o helicóptero para deixar a comunidade e na ocasião disse que precisava do apoio do, até então, delegado da Core, para levar um pedreiro e uma jovem que confirmavam ter visto elementos armados passando no interior do terreno e que era importante eles serem ouvidos imediatamente.

Sahione ficará afastado das investigações para que não haja nenhum tipo de “embaraço”. Segundo o Departamento Geral de Homicídios e Proteção à Pessoa, Allan Duarte não participou da operação, mas utilizou de um blindado da Core para realizar um mapeamento na comunidade.

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