Militar dos Bombeiros é preso em investigação sobre morte de Marielle Franco
Ele é suspeito de ter sumido com as armas usadas no crime

Foi preso na manhã desta quarta-feira (10), o militar do Corpo de Bombeiros Maxwell Simões Correa. A prisão do militar é resultado de uma ação que investiga os assassinatos da vereadora Marielle Franco (Psol) e do motorista Anderson Gomes, em março de 2018. Maxwell foi encontrado em um condomínio de luxo no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio. Ele é suspeito de ter sido o responsável por sumir com as armas que podem ter sido usadas no crime.
A prisão do militar aconteceu durante a Operação Submersus 2, feita pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) e pelo Ministério Público estadual (MPRJ), que investiga o sumiço de armas do PM reformado Ronnie Lessa. A prisão de Maxwell foi acompanhado por seu advogado e o bombeiro não se manifestou ao ser capturado.
Ao todo, foram cumpridos 10 mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Maxwell e outras quatro pessoas. Na casa do militar foram apreendidos documentos e celulares.
No dia 13 de março do ano passado, o bombeiro já tinha sido alvo de um mandado de busca e apreensão em uma operação realizada um dia depois da prisão de Lessa.
Segundo as investigações, Maxwell ajudou Elaine Pereira Figueiredo Lessa e Bruno Pereira Figueiredo, esposa e cunhado de Ronnie, respectivamente; José Marcio Mantovano, o Márcio Gordo; e Josinaldo Lucas Freitas, o Djaca, a ocultar armas e acessórios pertencentes a Lessa, um dia após a prisão dele e de Élcio. O material estava escondido em um apartamento do policial no Pechincha e em outros locais ainda desconhecidos.
Maxwell foi responsável por ceder o veículo utilizado para guardar o vasto arsenal bélico, entre os dias 13 e 14 de março de 2019, para que o armamento fosse jogado em alto mar depois. Pelo menos seis fuzis foram lançados no mar da Barra da Tijuca, na altura do Quebra-Mar.
Segundo o MPRJ, o bombeiro e os quatro comparsas praticaram o crime de obstrução de Justiça, que "prejudicou de maneira considerável as investigações em curso e a ação penal deflagrada na ocasião da Operação Submersus, na medida em que frustrou cumprimento de ordem judicial, impedindo a apreensão do vasto arsenal bélico ali ocultado e inviabilizando o avanço das investigações".
Para um dos delegados responsáveis pela operação, a prisão desta quarta-feira é um fator importante para não federalizar a investigação.
"É importante ressaltar que essa prisão ratifica a decisão acertada dos ministros do STJ no sentido de não federalizar a investigação do caso Marielle e Anderson e manter essa investigação aqui com a Delegacia de Homicídios", destacou o delegado Felipe Curi, subsecretário de Planejamento e Integração Operacional da Polícia Civil.