Número de internas em presídios registrou crescimento de até 33%

Porta de entrada para o mundo crime geralmente é o tráfico, como afirmou a jovem X, de 26 anos
Foto: Alex RamosPor Renata Sena
De acordo com dados da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), até o mês de julho de ano, os números de internas nos presídios já tiveram um aumento de aproximadamente 33% em relação a todo o ano de 2014. Mas, apesar do tráfico estar no topo da lista das detentas, outros crimes também passaram a ser mais cometido pelas mulheres, como afirma Andréia Oliveira, diretora do presídio feminino Talavera Bruce, no terceiro dia da série sobre mulheres do tráfico, de OSG.
“Aumentou o número de internas condenados por homicídios, muitas vezes ligado à violência doméstica, e aumentou bastante o número de mulheres que cometem violência sexual ou física contra menores, assim como furto e roubo”, garante a diretora, que atua no cargo desde 2004.
Mas, em muitos casos, o tráfico é a porta de entrada para mulheres no mundo do crime. “Antes a grande maioria das mulheres entrava no crime por causa do marido ou do companheiro, hoje essa questão não é mais maioria. Elas vão por conta própria”, garante Andréia, que teve sua fala comprovada por uma detenta.
Nascida no Rio Grande do Sul, criada em São Paulo, moradora do mundo e técnica em enfermagem, a jovem, de 26 anos, presa pela quinta vez e condenada a 28 anos de prisão, começou sua vida criminosa no tráfico paulista, integrando uma das maiores facções do Brasil: o Primeiro Comando da Capital (PCC).
“Bonitinha, branquinha e mulher. Ninguém desconfiava de mim e eu agia sem problemas”, contou a jovem que já iniciou no crime com cargo de confiança. Ela recolhia o dinheiro do tráfico de diversas favelas de São Paulo e ganhava cerca de R$ 6 mil por semana.
Percebendo a facilidade que mulheres encontravam para agir, a jovem mudou os rumos da sua carreira criminosa. “Conheci umas pessoas e comecei a praticar roubos em joalherias de diversos países”, contou a presa, que agia com uma colombiana, uma uruguaia e um argentino.
Chegando a lucrar R$ 180 mil por dia com furto de joias, ela foi presa duas semanas depois de chegar no Rio. A quadrilha realizou um furto numa joalheria da Barra da Tijuca e dois dias depois acabou sendo reconhecida quando entrou em um shopping da cidade.
Apesar de o Talavera Bruce abrigar somente mulheres condenadas ou reincidentes no mundo do crime, Andréia ainda acredita na ressocialização das detentas. “A ressocialização não é uma utopia. Só não é para todo mundo, porque é uma escolha pessoal. Muitas não querem mudar, mas as que querem têm chance”, encerrou a diretora.