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Mulher assume linha de frente na milícia de Itaboraí

'Tia', segundo investigações da polícia, comanda 'braço' de grupo paramilitar que age na cidade

relogio min de leitura | Redação 04 de março de 2020 - 17:43
Rozane Moreira da Conceição Almeida, a 'Tia' da milícia
Rozane Moreira da Conceição Almeida, a 'Tia' da milícia -

Após a megaoperação desencadeada conjuntamente pela polícia e o Ministério Público em Itaboraí, que desarticulou e colocou atrás das grades parte da quadrilha liderada por Orlando Oliveira de Araújo, o 'Orlando de Curicica', no ano passado, o grupo tenta se reorganizar e despistar as autoridades, colocando uma mulher na linha de comando no município. Rosane Moreira da Silva da Conceição Almeida, a 'Tia', segundo as investigações, está agora na 'linha de frente' do 'braço' paramilitar que age nos bairros de Porto das Caixas e Visconde. 

Segundo as investigações, o posto de chefe da quadrilha pertencia a miliciano Renato Nascimento dos Santos, o 'Renatinho Problema',  braço-direito de Orlando, até sua prisão, em dezembro de 2018. Depois, comparsas começaram a disputar o posto de chefe. Segundo a denúncia oferecida à Justiça pelo Ministério Público do Rio, que culminou com a decretação da prisão de mais de 70 milicianos, Rosane era a gerente financeira da quadrilha. Outras sete mulheres, responsáveis por percorrer as ruas atrás do recolhimento de 'taxas de segurança', respondiam diretamente a ela. 

Além de casas e comércios, mototaxistas, empresas de telefonia e internet, e até escolas, estavam na 'caixinha' da milícia. Por mês, de acordo com o depoimento de um miliciano preso que aceitou colaborar com as investigações, o bando conseguia juntar até R$ 200 mil, somente com as taxas cobradas em dois bairros, Porto das Caixas e Visconde. Segundo as investigações da polícia, uma parte do montante era reservada a milicianos presos: R$ 15 mil, segundo o colaborador, eram repassados toda semana a 'Renatinho Problema'. Segundo as investigações, quem ia a Itaboraí buscar o dinheiro era a mãe do miliciano, Maria do Carmo do Nascimento, que foi presa seis meses após a localização de seu filho. em Campo Grande, no Rio.  

Castigo - As investigações sobre a quadrilha apontam o uso de violência, com requintes de crueldade, para punir pessoas suspeitas de repassar a inimigos informações sobre as atividades da milícia. Para punir moradores que eram considerados 'ameaças' e passar uma mensagem ao resto da população, a milícia recorria a sessões públicas de tortura. Numa delas, em outubro de 2018, uma mulher grávida de dois meses perdeu o bebê. Na ocasião, um casal foi espancado na frente das duas filhas porque milicianos suspeitavam que eles passavam informações do bando para traficantes.

As vítimas tiveram que fugir do município após o crime e procuraram a Polícia Civil. Em depoimento, contaram que os milicianos chegaram por volta das 23h à casa do casal e os obrigaram a sair do imóvel. Alguns vestiam capuzes. As vítimas foram algemadas e, em seguida, começou o espancamento. A mulher foi atingida por chutes na barriga. Já o homem teve um cano de pistola colocado na boca e foi agredido com um taco de sinuca. Depois das agressões, um dos milicianos obrigou o casal a se ajoelhar no chão e urinou no rosto dos dois. Por fim, eles foram obrigados a deixar a casa só com a roupa do corpo.

Quem tiver qualquer informação a respeito da localização dos envolvidos na milícia de Itaborai, favor denunciar pelos seguintes canais: Whatsapp do Portal dos Procurados (21) 98849-6099; pelo facebook/(inbox), endereço: https://www.facebook.com/procuradosrj/, pelo mesa de atendimento do Disque-Denúncia (21) 2253-1177, ou pelo Aplicativo para celular do Disque Denuncia. 

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