Caso Matheusa: Traficante confessa crime e conta como ocultou o cadáver

Vítima ficou agonizando por uns 30 minutos antes de morrer

Enviado Direto da Redação
Matheusa Passarelli, de 21 anos, foi assassinada no Morro do Dezoito, em Água Santa

Matheusa Passarelli, de 21 anos, foi assassinada no Morro do Dezoito, em Água Santa

Foto: Reprodução / Redes Sociais

Num depoimento gravado em vídeo, obtido com exclusividade pelo Jornal Extra, Manuel Avelino de Sousa Junior, conhecido como Peida Voa, confessou o crime cometido contra a estudante Matheusa Passarelli, de 21 anos, na madrugada de 29 de abril de 2018. No dia, o traficante dava plantão numa boca de fumo no Morro do Dezoito, em Água Santa, Zona Norte do Rio. Ele conta que abordou a jovem, que andava nua e desorientada pela comunidade, e disparou dois tiros contra ela. Após o homicídio, Manuel esquartejou e queimou num tonel o corpo da estudante.

“Ele tava andando na rua pelado. Fui lá interrogar ele. Não conseguia falar o nome, endereço, lugar onde morava nem nada. Eu falei que ia arrumar ajuda para ele. Só que ele não aguardou e reagiu tentando tirar o fuzil de mim, botando a mão no meu pescoço e me empurrando. Peguei a pistola e dei tiro nele. Um tiro de pistola e um tiro de fuzil”, contou Manuel, em vídeo divulgado pelo Extra.

O criminoso confessou o crime na manhã do dia 28 de maio na Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA), para onde Manuel foi levado após ser preso. Ele foi encontrado pela polícia num prédio em Piedade, Zona Norte do Rio, onde trabalhava como porteiro após abandonar o tráfico.

No vídeo também é relatado que a vítima ficou agonizando por uns 30 minutos, depois de ser atingida pelos tiros, até vir a óbito. No vídeo divulgado, Manuel relatou que contou com a ajuda de dois comparsas para esquartejar e colocar fogo no corpo.

“Tive que amarrar com um fio e saí puxando até chegar no galão, cortar e queimar”, contou ele.

Investigadores do caso também gravaram áudios em que Manuel afirma ter remorso do que fez com Matheusa, que cursava Artes Visuais na Uerj à época. Ele também disse que foi repreendido por traficantes da comunidade, mas que foi escolha própria deixar o crime que oferecia baixa remuneração e risco de morte.

O trajeto de Matheusa na noite do crime foi refeito durante as investigações. Na madrugada em que desapareceu, Matheusa havia ido a uma festa na Rua Cruz e Souza, no Encantado, para fazer uma tatuagem na aniversariante. No relatório foi apontado que, durante a festa, a amiga desistiu de ser tatuada, o que decepcionou Matheusa, que passou a “demonstrar intenso descontrole emocional”. Segundo amigos e testemunhas, a estudante passava por dificuldades financeiras.

Além de Manuel, Genilson Madson Dias Pereira, o GG, e Messias Gomes Teixeira respondem pelo assassinato de Matheusa. Segundo a investigação, eles ordenaram a ocultação do cadáver. Só GG segue foragido.

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