‘Levi’ patrocinava campeonato e fazia contabilidade do pó à beira do campo

Líder do tráfico no Complexo do Bumba, Levi costumava acompanhar todos os jogos do BDL (Bonde do Levi)
Foto: DivulgaçãoPor Renata Sena
A paixão pelo futebol fez com que Amâncio Levi Clemente Moura, o Levi do Bumba, de 40 anos - um dos criminosos mais procurados de Niterói -organizasse e patrocinasse campeonato para reunir bandidos de outras comunidades, controladas pelo Comando Vermelho (CV), no campo do Complexo do Bumba, em Viçoso Jardim, Niterói.
Entre os times que disputavam o título estava o ‘BDL’ (Bonde do Levi), cujos atletas eram escolhidos pelo próprio traficante, que assistia às partidas uniformizado e armado com um fuzil, à beira do campo. Ele aproveitava o momento de descontração para, junto com seus comparsas, realizar a contabilidade semanal do tráfico a articular as ações da quadrilha.
O campeonato, que teve duração de pouco mais de dois meses, foi interrompido durante uma megaoperação de agentes da Divisão de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo (DHNISG), no último domingo, quando as esquipes disputavam as oitavas de final.

As informações constam no inquérito que apura o tráfico de drogas no Complexo do Bumba e o assassinato do inspetor da Polícia Civil, Thiago Thomé de Deus, durante tentativa de assalto, no Fonseca, em fevereiro desse ano.
Considerado pela polícia um criminosos frio e calculista, Levi chegou a forjar a própria morte após o deslizamento do Morro do Bumba, em 2010. Apesar de ter constado na lista das possíveis vítimas da tragédia, ele acabou desmascarado após ter sido identificado como autor de um homicídio, no Fonseca, em Niterói.
Contra o acusado há pelo menos 14 mandados de prisão, um deles pelo assassinato do policial civil. Permanecem foragidos pelo mesmo crime Douglas Delgado dos Santos, o Cabecinha, 23, e Ray Ferreira Paulino, o Para R, 20.
Quem tiver informações sobre a localização dos acusados, pode ligar para o Disque-Denúncia (2253-1177) ou para a DHNISG (2717-2838).
