Violência ‘ronda’ o Zé Garoto
Roubos a comércios e motoristas têm se tornado frequentes na Rua Rodrigues da Fonseca

A via tem um intenso movimento devido a escolas e por ser um atalho para outros bairros
Foto: Luiz NicolellaAtrás das grades. Assim é o dia-a-dia de uma empresária, de 39 anos. A privação da liberdade e o direito de ir e vir não foram ceifados, no entanto, por nenhum crime cometido. Ela é, na verdade, refém do medo e da violência. Vítima de um assalto em seu estabelecimento comercial, em janeiro deste ano, a mulher foi obrigada a investir em segurança para tentar escapar da criminalidade. Mas a empresária é uma das diversas vítimas de roubos na Rua Rodrigues da Fonseca, no Zé Garoto, São Gonçalo, uma das vias mais nobres da cidade. Apesar dos números de crimes terem reduzido (roubos a estabelecimentos comerciais, veículos e pedestres caíram cerca de 20%, 40% e 70% respectivamente em junho deste ano em relação ao mesmo período do ano passado) em todo o município, a insegurança é real na região. E uma das grandes preocupações é em torno das escolas, quando pais e responsáveis deixam e buscam crianças e adolescentes.
“Eu já havia instalado câmeras e alarme no meu comércio, mas nem isso impediu a ação de bandidos. No dia do roubo, dois homens entraram e anunciaram o assalto, um outro em um carro dava cobertura. Em poucos minutos, eles levaram celulares, dinheiro e relógios de todos os meus clientes e as minhas chaves. Dessa forma, tive que trocar todas as fechaduras, além de instalar grades, película escura nos vidros e interfone”, contou a comerciante.
Nem mesmo uma escola municipal, instalada na via, escapou da ação de criminosos. “Sofremos três furtos em fevereiro, maio e junho. Os bandidos levaram computador, caixa de som e alimentos”, relatou a diretora.
Os bandidos agem com facilidade’
As vítimas mais recentes foram o corretor de imóveis Y. e sua esposa, que sofreram, na última segunda-feira, um assalto à mão armada quando iam buscar de carro o filho em uma escola particular. Dois criminosos renderam o casal e levaram, além do veículo, celulares e alianças. O assalto ocorreu por volta das 18h, horário de grande movimento de crianças no local.
“A insegurança é constante ali, ao ponto de os próprios moradores alertarem os pais que vão buscar as crianças nas escolas”, comentou a vítima revoltado com a facilidade de ação dos marginais.
“As pessoas estão passando a ver isso como uma coisa normal. Os elementos me renderam super tranquilos e perderam um bom tempo comigo e com a minha esposa, revistando bermuda, camisa. Ainda perguntaram se não estávamos armados. O que mais temo é que aconteça algum tiroteio pois o movimento de crianças é muito grande na via por causa das escolas”, completou o corretor que registrou o caso na 72ªDP (Mutuá).
Ainda de acordo com a vítima, no dia anterior ao assalto, um morador também teve seu carro roubado dentro da própria garagem na mesma rua. Mas estes estão longe de serem casos isolados na região. Sob as mesmas circunstâncias e no mesmo local, um dentista e a esposa também foram abordados e perderam carro e pertences pessoais há cerca de dois meses, quando buscavam a filha na escola, além de outra dentista que trabalha na rua.
“No dia do roubo, minha clínica estava cheia de crianças. Por sorte, ninguém notou e não houve pânico. O criminoso levou só o meu celular”, revelou.
Por Marcela Freitas e Cyntia Fonseca