Policial é morta após ataque de traficantes do Salgueiro

PM perdeu controle da viatura e capotou quando tentava sair da linha de tiro dos criminosos
Foto: DivulgaçãoA soldado Vanessa da Conceição de Oliveira, de 24 anos, lotada no 35ºBPM (Itaboraí), morreu após perder o controle da viatura que dirigia e capotar durante ataque de traficantes do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na noite de sábado. O soldado Eduardo Costa, 35, que também estava no veículo, sofreu ferimentos leves, e teve que buscar abrigo numa casa na Rua Leôncio Correia, na localidade das Palmeiras, onde foi resgatado por colegas de farda.
De acordo com a polícia, os militares realizavam patrulhamento de rotina quando foram informados sobre um Prisma roubado, em Manilha, Itaboraí. Os agentes localizaram o automóvel em Itambi e seguiram em perseguição pela BR-101. Os criminosos entraram na Estrada de Guaxindiba, que dá acesso ao Complexo do Salgueiro. Ao perceberem a aproximação da viatura, um grupo de traficantes efetuou diversos disparos contra os policiais.
Vanessa jogou a viatura para o lado na tentativa de sair da linha de tiro, mas acabou capotando e foi arremessada para fora do veículo. Já Eduardo conseguiu correr e se esconder numa casa da comunidade.
Policiais do 7ºBPM (São Gonçalo) - com o apoio de agentes do 35ºBPM e o auxílio de um veículo blindado - conseguiram resgatar Vanessa após intenso confronto. Ela foi encaminhada para o Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), no Colubandê, mas não resistiu aos ferimentos. Em seguida, os PMs retornaram ao conjunto de favelas e socorreram Eduardo. O caso foi registrado na 74ªDP (Alcântara).
Niterói- Durante operação para reprimir o trafico de drogas na Vila Ipiranga, no Fonseca, Zona Norte de Niterói, um sargento identificado como Bitencourt acabou baleado de raspão numa das pernas. O militar foi socorrido e levado até o Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal), onde foi medicado e liberado.
Emoção e dor durante enterro
Cerca de 120 pessoas - entre amigos, familiares e colegas de farda - acompanharam o enterro do corpo de Vanessa, no Cemitério Parque Nycteroy, em Vista Alegre. A cerimônia, sob honras militares, ocorreu às 17h.
O comandante do 35ºBPM, coronel Samir Vaz Lima, lamentou a morte da jovem.
“Aos familiares, pais, amigos e esposo, em nome da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, agradecemos, em uma homenagem póstuma, a doação da vida dessa jovem, que em sua formatura jurou sacrificar a sua vida em benefício da sociedade.Esse é um momento de dor para todos nós”, disse durante discurso.
‘Ela era uma guerreira’
“Vocacionada, dedicada e corajosa”. Foi desta forma que familiares definiram a soldado Vanessa de Oliveira. Há três anos na PM, a jovem - que já atuou na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Caju e nos batalhões de São Gonçalo e Itaboraí -, trabalhou numa empresa de telefonia antes de ingressar na corporação.
Ainda de acordo com familiares, Vanessa viu no concurso da PM, inicialmente, a chance de ter um emprego estável e decidiu se inscrever. No entanto, quando entrou disse ter descoberto sua verdadeira vocação.
“Ela era muito ligada à família. Minha filha me telefonava todos os dias para saber como eu estava. Moro em Silva Jardim e ela se preocupava muito comigo. Era um anjo”, comentou a vendedora Vanderleia Nepomuceno Paixão, 41, mãe da soldado.
Vanderleia contou ainda que Vanessa tinha o sonho de finalizar a obra de sua casa em Unamar, em Cabo Fio, Região dos Lagos.
“Ela trabalhava dia e noite para construir essa casa. Era uma guerreira. Dizia que em dois anos concluiria a obra. Um sonho que não poderá mais ser realizado”, completou aos prantos.
O comandante do 7ºBPM ( São Gonçalo), coronel Fernando Salema, contou que trabalhou com a jovem desde seu início na carreira e lamentou a morte precoce da policial.
“Infelizmente perdemos essa jovem e competente policial, que já serviu sob meu comando e, por fatalidade, solicitou sua transferência para Itaboraí e vem se despedir dessa vida justamente em São Gonçalo. Quem conviveu com Vanessa nessa curta trajetória está sentindo a perda.de uma policial competente, que conheci ainda na UPP, mas fazendo RAS (Regime Adicional de Serviço) para construir seus sonhos. Nunca poderia imaginar que aquela linda baixinha sorridente um dia pudesse me entristecer como fez nessa sua última missão. Partiu cumprindo nosso juramento ao sacrificar a própria vida. Agora descansa nos braços do pai enquanto lamentamos sua perda”, lamentou Salema.