Tráfico ordena mortes em Niterói de dentro da cadeia

Adolescente, de 17 anos, e o irmão teriam sido executados a mando do traficante Mun-rá
Foto: Leonardo Ferraz
As mortes de três pessoas, ocorridas nos últimos dias em Niterói, podem ter sido ordenadas por traficantes da facção Terceiro Comando Puro (TCP) que cumprem pena no sistema prisional do estado. Os casos estão sendo investigados por policiais da Divisão de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo (DHNISG), que já identificaram suspeitos de envolvimento direto nos crimes.
De acordo com a polícia, Edimilson da Conceição, o Cicatriz, e um adolescente, de 17 anos, foram os autores dos disparos que mataram o mototaxista Carlos Eduardo Tavares Filho, 27, e seu irmão, de 15 anos, no Centro de Niterói, há uma semana. Ainda existiria um terceiro participante nos homicídios, que ainda não foi identificado.
Para o delegado Fábio Barucke, diretor da especializada, os crimes podem ter sido encomendados pelo traficante Márcio Conceição da Silva, o Mun-rá, preso em fevereiro.
“Já pedimos mandados de prisão temporária para Cicatriz e o adolescente. É possível que o Mun-rá tenha sido o mandante do crime, devido ao parentesco das vítimas com o seu principal rival na liderança do tráfico do Morro do Estado, o Pimpolho”, explicou.
Carlos Eduardo e o irmão eram primos de Felipe Juvêncio da Silva, o Pimpolho, de 27 anos, preso há um mês por agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF), quando passava pela BR-101, em Neves, São Gonçalo.
O Morro do Estado, cujo tráfico é controlado pela facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP), vive uma guerra interna devido à rivalidade entre o ‘Bonde dos Crias’, comandado por Pimpolho, e o ‘Bonde do Anão’, comandado por Wallace Araújo Torres, o Anão, e seu comparsa, Mun-rá.
Coronel Leôncio - Os agentes também investigam se a ordem para a morte de Rafaela Araújo Barros, de 23 anos - assassinada a tiros logo após voltar de uma igreja, na Engenhoca, na madrugada de quarta-feira - partiu de uma das celas do Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu.
Segundo as investigações, um traficante da Favela Coronel Leôncio, que está preso, teria mandado que seus comparsas executassem a jovem após um ataque de ciúmes.
No último dia 4, Rafaela postou em sua página pessoal, numa rede social, que estava sentido medo: “Ai eu estou com muito medo dessas pessoas que me põem medo”, publicou.
O crime ocorreu por volta das 2h na Travessa São Jorge, um dos acessos à Favela Coronel Leôncio, onde a vítima morava. De acordo com a perícia técnica, Rafaela foi atingida por tiros de pistola calibre 40 na cabeça e nas costas.