Policial e traficante morrem durante confronto em Niterói

Cerca de 300 pessoas, entre elas familiares, amigos e colegas de farda, se despediram de Proença no Cemitério Parque da Paz
Foto: Julio DinizPor Celso Brito, Thuany Dossares e Lucas Agra
O soldado da PM Wagner dos Santos Proença, de 33 anos, lotado no 12ºBPM (Niterói), morreu durante confronto entre militares e traficantes, no Morro do Estado, no centro de Niterói, domingo à noite.
Na ação, Alex da Silva Júlio, o Lequinho Capeta, 26 - apontado pela polícia como uma das líderes da venda de drogas na comunidade - também acabou morto. Durante o dia, criminosos ordenaram o fechamento do comércio no centro de Niterói em luto pela morte do traficante.
De acordo com com a PM, os agentes faziam patrulhamento de rotina na Rua Araújo Pimenta, um dos acessos ao Morro do Estado, quando foram surpreendidos por traficantes, que efetuaram disparos contra a viatura.
Durante o confronto, Proença foi atingido por um tiro de fuzil numa das pernas. O soldado chegou a ser socorrido pelos colegas para o Hospital Estadual Azevedo Lima, no Fonseca, e precisou ser transferido para o Hospital Estadual Alberto Torres, em São Gonçalo, mas não resistiu ao ferimento.
Baleado durante a troca de tiros, Lequinho foi encontrado morto na comunidade uma hora depois do confronto. Com ele, os policiais encontraram um fuzil calibre 7.62. A arma apreendida com o acusado, que tinha cinco anotações criminais por roubo, tráfico e homicídio, foi levada para 77ªDP (Icaraí).
O comandante do 12ºBPM, coronel Gilson Chagas, disse que a morte do soldado Proença foi uma grande perda para a corporação. “Era um excelente policial, tinha várias prisões significativas. Mais um que morre em serviço. Foi baleado com um tiro de fuzil, uma arma de guerra”, lamentou o oficial.
Muito emocionado, um primo do PM, que preferiu não se identificar, disse que toda família está inconsolável. “Estamos desolados, ele morreu trabalhando, estava lá para garantir a segurança da população e agora é só mais um na estatística. Ele era um irmão para mim. Era um homem digno, excelente pai, excelente marido, filho, amigo”, comentou. Proença era casado e deixa uma filha de dois anos.
Último adeus
Cerca de 300 pessoas foram dar o último adeus ao soldado Proença, cujo corpo foi enterrado no fim da tarde de ontem, no Cemitério Parque da Paz, no Pacheco, em São Gonçalo.
O sepultamento ocorreu com honras militares. Durante o velório, parentes e amigos, além do coronel Gilson Chagas, comandante do 12ºBPM (Niterói), onde Proença era lotado, evitaram falar sobre a morte do policial.
“Não há mais o que falar. Já dissemos tudo”, disse. Além de policiais do batalhão de Niterói, também estiveram no cemitério agentes do 7ºBPM (São Gonçalo), do Batalhão de Choque, entre outros colegas de farda que foram levar solidariedade aos familiares.
Comércio no Centro é fechado por ordem do tráfico

Em decorrência da morte de Lequinho Capeta, o tráfico impôs luto forçado aos comerciantes da região, dando ordem para que não abrissem as portas nesta segunda.
Segundo um comerciante, que preferiu não se identificar temendo represália dos criminosos, a determinação foi dada por volta das 9h.
PMs reforçaram o policiamento no entorno da Praça do Rink e em outros acessos da comunidade, mas os lojistas preferiram manter seus estabelecimentos fechados. “Dificilmente vamos conseguir trabalhar amanhã também, o que gera ainda mais prejuízos”, encerrou.
Cinco presos
Em resposta à morte do soldado, PMs realizaram uma operação no Morro do Santo Cristo, no Fonseca, depois de receberem informações de que homens que teriam participado do confronto no Morro do Estado estariam refugiados na comunidade.
Na ação, três homens foram presos e dois menores apreendidos. Com eles foram encontrados uma pistola calibre, 400 sacolés de cocaína, 25 trouxinhas de maconha e um rádio transmissor. Registro feito na 78ªDP.