Adolescente é acorrentada pela família em São Gonçalo

Após receber atendimento médico, a jovem chegou a ser levada para delegacia junto com a mãe
Foto: Luiz NicolellaPor Dayse Alvarenga e Gustavo Aguiar
Pés acorrentados, higiene precária, uma vida privada de direitos. O quadro desumano, comum em outros períodos da História, era a realidade de uma adolescente em São Gonçalo até ontem. Aos 17 anos e sofrendo de problemas psiquiátricos, a jovem foi encontrada assim, neste sábado, na casa da avó, no Jardim Bom Retiro por dois integrantes do Conselho Tutelar II (Alcântara), após denúncia do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS).
Os familiares relataram aos conselheiros tutelares que as correntes foram a “solução” encontrada pela mãe para evitar possíveis fugas da adolescente. Segundo eles, a menina já fugiu de casa em outra ocasião. Com os pés atados, sua vida se resumia em dormir e se alimentar, sempre em cima da cama.
A mãe, que não estava no local, reencontrou a filha apenas no Pronto Socorro de Alcântara, para onde a menina foi encaminhada inicialmente. Bastante nervosa, ela limitou-se a dizer à reportagem de O SÃO GONÇALO que já havia procurado ajuda de órgãos públicos para tratar da filha sem sucesso. Negou-se, porém, a dar mais detalhes sobre o problema da adolescente.
Os conselheiros responsáveis pelo caso negam que tenham sido procurados.
“O Conselho Tutelar não foi procurado, embora a mãe alegue ter pedido ajuda de outros órgãos, sem especificar quais”, afirmou Helio Camilo.
No final do dia, ficou decidido que a adolescente ficará em um abrigo da Prefeitura até segunda-feira, quando o caso será apresentado ao Juizado da Infância de Juventude de São Gonçalo. A mãe foi autuada por maus-tratos na 74ª DP.
