Salgueiro e Caramujo viram ‘depósitos de drogas’ do CV

Segundo a polícia, oito pessoas foram presas durante megaoperação que contou com 400 agentes
Foto: O Dia Ag Daniel CasteloAs comunidades do Caramujo, em Niterói, e do Salgueiro, em São Gonçalo, viraram dois dos principais entrepostos do tráfico de drogas da maior facção criminosa atuante no Rio: o Comando Vermelho (CV). É isso que aponta as investigações de agentes 27ªDP (Vicente de Carvalho), que deflagraram, ontem pela manhã, uma megaoperação, intitulada “Overload”, para desarticular a quadrilha.
De acordo com a Polícia Civil, as localidades da Região Metropolitana do Rio servem não apenas para a venda de entorpecentes, mas também para distribuição destas drogas com destino ao interior do estado. Dos 65 mandados de prisão e busca e apreensão expedidos, 24 foram cumpridos e três pessoas presas em flagrante em comunidades da Capital, Baixada Fluminense e Niterói.
“As drogas chegam em comunidades que não têm UPP, como Chapadão (Zona Norte do Rio), Caramujo e Salgueiro, onde são trabalhadas, embaladas, colocadas à venda e distribuídas”, afirmou o delegado Felipe Curi, durante coletiva de imprensa na Cidade da Polícia, no Jacarezinho, ontem à tarde.
Segundo levantamento dos policiais, o faturamento mensal da quadrilha ultrapassava a casa dos R$ 7 milhões. De acordo com Curi, o bando começou a ser investigado há oito meses. “A polícia já identificou os líderes e a função de cada um deles dentro da facção, além dos fornecedores de armas e drogas”, explicou o delegado.
O inquérito mostrou ainda que os chefes da facção - que estão presos - comandam todo o processo de dentro dos presídios, são eles: Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, e Luís Cláudio Machado, o Marreta. Este último tem estreitas ligações com Rodrigo da Silva Rodrigues, o Tineném, chefe do tráfico no Complexo do Caramujo, e já chegou a buscar abrigo diversas vezes no conjunto de favelas de Niterói.
“O principal objetivo da investigação foi desvendar o funcionamento da engrenagem e a identificação dos principais responsáveis pela operacionalização do tráfico de drogas e armas, nestas comunidades. Essa é apenas a primeira fase da investigação, o próximo passo será investigar a parte financeira dessa organização criminosa”, destacou.
A megaoperação contou com apoio de 400 policiais civis de todos os departamentos, além da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE).
No final do mês passado, traficantes do Complexo do Salgueiro perderam R$ 3 milhões em drogas, que seriam distribuídas para outras favelas.