Uma vida dedicada à educação interrompida pela violência em São Gonçalo
Caso aconteceu no bairro Rio do Ouro

Por Alan Emiliano
“É tão estranho! Os bons morrem jovens, assim parece ser quando me lembro de você, que acabou indo embora cedo demais”. O trecho da música Love In The Afternoon, de Legião Urbana, retrata e (muito) o sentimento de familiares e amigos da educadora infantil Angélica Lima, de 42 anos, morta, na noite desta segunda-feira (23), no Rio do Ouro, em São Gonçalo.
“Kita”, como é conhecida, era uma mulher de talento ímpar, carregava o sorriso no rosto e o carisma de quem gostava de estar no meio de quem amava. Infelizmente, ela foi embora (muito) cedo, mas as memórias ficam de uma moça com um presente/futuro grandioso, que teve o sonho arrancado pelas mãos de um criminoso.
“Queremos justiça, mas também queremos lembrar dos carnavais, das festas de fim de ano, das conversas em um domingo chuvoso, da amizade, do companheirismo, do amor, da simpatia. Creio que nunca iremos entender o porquê disso tudo, só quem sabe é Deus. Kita, Kita, uma moça tão bonita que alegrou a minha vida. Você foi cedo, cedo demais. Não consigo descrever a falta que você fará entre nós. Obrigado e até logo”, disse a cabeleireira e irmã da vítima, Ângela Nunes.
Em meio a um mundo de violência, Kita decidiu escolher a área da educação infantil para distribuir amor. Em uma de suas últimas aparições nas redes sociais, lá estava ela em meio a crianças de uma creche particular em Icaraí, na Zona Sul de Niterói. E assim como na sua vida pessoal, carregava brilho e amor pelo que fazia.
Há pouco tempo, “Kita” perdeu a sua mãe e eterna companheira, com quem morava no mesmo local onde foi ao encontro de sua genitora. E, mesmo assim, ao lado de sua irmã Ângela, nunca deixou de levar amor e ensinamentos aos seus sobrinhos, Marcella e Matheus, de quem tinha orgulho e dava os melhores conselhos.
"Minha tia era uma das pessoas mais incríveis que eu já conheci na minha vida. Daria tudo para ter ela de volta nesse momento tão difícil. Perdi a minha avó (o grande amor da minha vida) há pouco tempo e agora fazem isso com a nossa família. Tá sendo insuportável, mas Deus vai nos dar forças pra seguir.. Vai ser muito difícil, mas vamos conseguir", disse Marcella.
E, nesse dia 23 de setembro, lhe foi tirada a vida por um homem, ainda não identificado, que destroçou o coração de muitos amigos e familiares. Mas, como já diria o grupo Preto no Branco, “Ninguém Explica Deus”.
O caso - Segundo testemunhas, a vítima teria chegado em casa, por volta das 20h, e sido surpreendida com a presença do criminoso. Assustada, teria realizado pedidos de socorro que foram abafados pela cantoria de um culto evangélico realizado em frente a sua residência na Rua Manoel Gonçalves Montes, no Rio do Ouro. O criminoso a agrediu com socos, puxões de cabelo, tesouradas e usou um ferro de passar roupa para ferir a vítima. Além disso, Angelica chegou a ser enforcada por um cabo utilizado pelo assassino. Não há informações sobre a autoria e a motivação do crime.
Mesmo bastante machucada e com ferimentos espalhados por todo o seu corpo, Angélica conseguiu pegar o telefone e pediu socorro a sua irmã, que a levou para o Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), no Colubandê, mas a vítima não resistiu aos ferimentos e faleceu na unidade de saúde.
Agentes da Divisão de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo (DHNISG) foram até o local e fizeram a perícia do crime. As primeiras testemunhas foram ouvidas, na madrugada desta terça-feira (24), e, nos próximos dias, serão solicitadas imagens de segurança de estabelecimentos da rua que possam ajudar a identificar o criminoso.