Flordelis entrega áudios com tentativa de extorsão de suposto policial à PF
Ela revelou ainda ser vítima de ameaças

Em entrevista ao Fantástico nesse domingo (22), a deputada Flordelis, que só aceitou conversar com a equipe de reportagem no escritório de seus advogados, contou que tem sido vítima de ameaças por telefone, e de uma tentativa de extorsão, dois meses após o crime.
Além disso, uma das ameças teria partido de um homem que ela identificou como sendo um ex-advogado de seu filho Lucas.
"Só falava a mesma coisa: eu preciso te encontrar porque eu tenho algo que vai ser muito bom para nós, vai ser muito bom para você, e eu preciso te encontrar", disse, na entrevista.
A deputada ainda entregou à Polícia Federal gravações dos telefonemas.
"Venho segurando algumas coisas como a colaboração premiada, eu venho segurando para evitar que ela aconteça. Eu queria ajudar mesmo", diz um homem na gravação.
Ela também disse à Polícia Federal que recebeu "telefonemas dirigidos ao gabinete que ocupa na Câmara dos Deputados em Brasília".
Do outro lado da linha, estaria um homem que se apresentou como policial civil, "que seria lotado na Delegacia de Homicídios da cidade do Rio de Janeiro".
Ele teria dito que "o mandato de Flordelis estaria ameaçado e que ele poderia influenciar na Delegacia de Homicídios em Niterói, pois que teria parceiros com influência suficiente para tanto".
"Eu falei, eu não sei do que se trata... Eu preciso gravar, e eu gravei a ligação. Estavam querendo me extorquir dinheiro", revelou Flordelis.
De acordo com o áudio, o suposto policial diz:
"Tem uma pessoa da família da senhora, e até o momento eu não vou citar nome, entendeu, que garantiu que tem prova de que a senhora estava sendo a mandante, que a senhora sabia de tudo que ia acontecer. Isso eu tô falando com a senhora, não tô nem falando como policial, tô falando como uma pessoa normal, entendeu?"
Ao que ela responde:
"Entendi. Ai, meu Deus."
Em outro momento do telefonema, o suposto policial tenta extorquir dinheiro de Flordelis:
"Eu vou falar português claro com a senhora, a nossa intenção é o dinheiro. E eu sei que a gente pode passar informação para a senhora, para a senhora se resguardar e se defender antes de surgirem fatos novos, entendeu?".
Para apurar as declarações prestadas pela deputada, a Polícia Federal abriu um procedimento. E a Policia Civil do Rio de Janeiro, em nota enviada ao programa Fantástico, afirmou que "a Delegacia de Homicídios de Niterói investiga, em inquérito sigiloso", esses telefonemas. E que a Polícia Civil nunca foi procurada pela parlamentar para comunicar tais fatos".