Dólar R$ 5,0796 | Euro R$ 5,8436
Search

Cracolândias são um mal visível nas ruas de São Gonçalo

O SÃO GONÇALO realizou um trabalho de mapeamento para dar atenção ao que a prefeitura não quer ver

relogio min de leitura | Redação 18 de agosto de 2019 - 12:18
Imagem ilustrativa da imagem Cracolândias são um mal visível nas ruas de São Gonçalo

Parece que a prefeitura de São Gonçalo não quer ver os problemas sociais da cidade. Enquanto em 2015 o governo municipal mapeou 13 cracolândias na cidade, a gestão atual afirma que o Centro Pop só tem ciência da existência de uma cracolândia, que fica em Neves.

O SÃO GONÇALO realizou um trabalho de mapeamento para dar atenção ao que a prefeitura não quer ver. Inclusive, um dos pontos de cracolândia fica em cima da Casa das Artes Villa Real, um espaço municipal ligado a Secretaria de Cultura e Turismo e a Fundação de Artes de São Gonçalo (Fasg), no bairro Zé Garoto. Consumindo drogas e bebidas diariamente, há pelo menos 30 pessoas morando em cima da Casa das Artes, intimidando a população que passa pelo local.

"Uma vez estacionei aqui, um dos moradores de rua se identificou como guardador de carro e me pediu dinheiro. Eu disse que depois eu daria. Quando voltei, o capô do carro estava todo arranhado", detalhou o funcionário público Ronald Vieira, 50.

Depredado e com aparência assustadora, o Hospital Santa Maria,  que fica na Avenida Júlio Lima, em Alcântara, está desativado há quase nove anos e virou abrigo para usuários de drogas. De acordo com os motoristas de van que ficam no local, desde que o ponto do coletivo foi instalado no local, o número de invasores no prédio antigo diminuiu, mas o problema ainda existe.

"Antigamente tinha mais usuário de drogas. Vira e mexe aparece alguns, principalmente na parte da noite. Mas acredito que depois que a gente veio para cá, há cerca de três anos, eles tenham diminuído a frequência", explicou um dos motoristas.

Ao lado do Detran de Neves, na Rua José Augusto Pereira dos Santos - único ponto que a prefeitura conseguiu mapear - os sem teto já fizeram até mesmo casas com madeiras, plásticos e panos. No início do mês, O SÃO GONÇALO ainda identificou dois imóveis abandonados no Centro de São Gonçalo que viraram abrigo para moradores de rua. Segundo a população, pelo menos 50 pessoas vivem nas casas localizadas na Rua Feliciano Sodré, algumas delas, inclusive, são usuárias de drogas.

Se nos governos anteriores as praças de São Gonçalo eram supervalorizadas, no atual elas se encontram abandonadas e viraram abrigo de moradores de rua - em sua maioria, usuários de drogas. Um dos pontos é na Praça do Colubandê, que fica na Rua Capitão Juvenal Figueiredo. Antes, muito frequentada pelos moradores, hoje abandonada pelo poder público e invadida por moradores de rua, que passam a maior parte do dia consumindo drogas.

Segundo uma panfletista, que preferiu não se identificar, até mesmo crianças fazem uso de entorpecente na localidade. Durante o dia, é possível identificar os sem moradores de rua estendendo seus lençóis nas pedras decorativas que ficam na praça.

"Fica muito menino ali fumando maconha e fazendo uso de outras substâncias, até mesmo crianças. A praça era linda, mas infelizmente ninguém usa mais, com medo, principalmente porque sempre sai briga entre eles", contou a panfletista.

Na Praça Chico Mendes, que fica no bairro Raul Veiga, e proximidades também é possível encontrar cerca de 30 moradores de rua. De acordo com comerciantes do local, eles começaram a se alojar há cerca de cinco anos.

"Tem que ter alguém na direção da prefeitura com vontade de fazer uma mudança na vida dessas pessoas. Há cinco anos, os moradores de rua começaram a se instalar aqui. Quando eram poucos, era tranquilo. Agora começou a vir muita gente estranha e iniciaram os pequenos furtos nas lojas da região. Há cerca de três semanas, arrombaram as portas do meu comércio e tivemos que reforçar a segurança", contou o comerciante José Carlos Mariano, 58.

Na Praça de Nova Cidade, a situação não é diferente. No lugar de lazer e diversão, há diversos cobertores espalhados durante o dia e moradores dormindo nos bancos no período da noite. Em resposta, a prefeitura informou que, de acordo com levantamentos de dados realizados recentemente pelo Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua, São Gonçalo conta com cerca de 400 pessoas em situação de rua.

O Centro Pop oferece dois serviços: o Serviço Especializado para Pessoas em Situação de Rua, o qual realiza atendimentos individuais e coletivos, oficinas e atividades de convívio e socialização, além de ações que incentivem o protagonismo e a participação social das pessoas em situação de rua e o Serviço de Abordagem Social que tem como objetivo garantir o acesso à rede de serviços socioassistenciais e as demais políticas públicas à população em situação de rua, através de um trabalho continuado, visando à aproximação com estes usuários, a construção na relação de confiança, buscando atender suas necessidades imediatas, e, de forma gradativa a possibilidade de saída das ruas. Este serviço não possui como atribuição o recolhimento e ou retirada destas pessoas dos logradouros públicos, mas sim o acompanhamento, sensibilização e garantia no acesso a rede de serviços de proteção social, minimizando a situação de risco pessoal e social destes usuários.

Através de um trabalho em rede e intersetorial, a secretaria de Saúde, por meio da Coordenação de Saúde Mental, possui dois Centros de Atenção Psicossocial para Álcool e outras drogas (CAPS AD), localizados nos bairros Gradim e Alcântara, que assistem pessoas que fazem o uso abusivo. Com equipes multidisciplinares formadas por psicólogos,psiquiatras,assistentes sociais, enfermeiros, médicos, arteterapeutas, educadores sociais e redutores de danos, os equipamentos realizam um trabalho de acolhimento e acompanhamento desse público. Além das abordagens diárias nas ruas. Além disso, Junto às equipes do Centro POP, está também o Consultório de Rua. Implementado em São Gonçalo há cinco anos, é instituído pela Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) e integra a rede de atenção psicossocial. Fundamentado pela Política Nacional para a População em situação de rua e Política Nacional de Atenção Básica, em São Gonçalo, o Consultório é formado por enfermeiro, técnico de enfermagem, médico, assistente social e agente social, uma equipe que atua em todo o município garantindo a universalidade do Sistema único de Saúde (SUS) para todos.Em relação ao programa Crack é Preciso Vencer, ele é um programa do Governo Federal, mas como está sendo construída uma nova política nacional estamos em processo de mudanças, mas ele não foi extinto.

A Secretaria de Políticas para álcool e Drogas afirma que está realizando constantemente políticas de fortalecimentos para comunidades terapêuticas, com capacitação, orientação e certificação. Um feito que foi conquistado e já está sendo executado é o convênio com o governo Federal de prevenção itinerante. Faz-se um diagnóstico do município e a partir dos resultados são desenvolvidas ações e suporte para prevenção em escolas, comunidades e igrejas.

Matérias Relacionadas