PMs teriam se arrependido de atirar em jovem na comunidade da Grota, em Niterói

Militares perceberam que Dyogo não era bandido ao abrir sua mochila

Enviado Direto da Redação
Militares perceberam que Dyogo não era bandido ao abrir sua mochila

Militares perceberam que Dyogo não era bandido ao abrir sua mochila

Foto: Divulgação

Por Alan Emiliano

“Ô, ô, ele não era nada não. Ele não era nada não”. Essa teria sido a reação de agentes do Batalhão de Choque (BPChq) ao abrirem a mochila do jogador de futebol Dyogo Xavier, de 16 anos, morto durante operação do Comando de Operações Especiais (COE), na tarde desta segunda-feira (12), na comunidade da Grota, no bairro São Francisco, em Niterói.

De acordo com familiares da vítima, que foram chegando aos poucos no Cemitério Municipal São Francisco Xavier, na Zona Sul de Niterói, a mochila de Dyogo continha uma chuteira e o uniforme que seria utilizado por Domdom, como era conhecido, em um treinamento no América, clube que o jovem defendia.

“A rua estava cheia de moradores e os tiros já tinham cessado quando aconteceu o fato. Os policiais estavam divididos em uma casa e em um beco quando viram o meu primo passar de mochila e atiraram nas costas dele. Não dá para entender isso que está acontecendo, parece que estamos vivendo um pesadelo”, disse Yago Andrade, de 27 anos, primo da vítima.

Enquanto aguardava outros familiares no cemitério, Yago conversou com exclusividade com O SÃO GONÇALO e disse que Dyogo estava caminhando em direção a uma das saídas da comunidade da Grota para encontrar com um parceiro de treino, rotina que se repetia em dias de treino no América.

“Arrancaram um sonho de um jovem que tinha diversos motivos para ser feliz e realizar o seu maior objetivo: ser jogador de futebol. Ele estava prestes a viajar para Portugal e treinar por um clube de lá, mas infelizmente isso não vai poder acontecer. Esperamos que a justiça seja feita e tenho certeza que isso vai acontecer”, concluiu.

Veja também