Witzel quer que usuários de droga sejam condenados a catar lixo na praia
O governador também voltou a defender o assassinato de suspeitos que portem fuzis

O governador Wilson Witzel quer que usuários de drogas como maconha e cocaína, identificados pela polícia, sejam condenados a catar lixo na praia. O plano foi revelado em entrevista à atriz Antonia Fontenelle publicada nesta segunda-feira (5).
As declarações surgem após Witzel ter dito que conduziria imediatamente para a delegacia "quem fuma maconha na praia ou usa qualquer entorpecente", na última semana.
Na entrevista publicada ontem, ele lembrou o artigo 28 da Lei Federal 11343 para justificar a medida. O texto prevê que quem adquirir, guardar ou transportar substância entorpecentes para consumo pessoal fica a sujeito a penas de advertência, medida educativa de comparecimento a programa ou curso e prestação de serviços à comunidade. A norma não estabelece penas de prisão nesses casos.
“Nós estamos trabalhando junto aos juízes para que essa prestação de serviço à comunidade seja catar lixo na areia da praia. Então, será uma atividade muito importante ter lá um apenado, que é usuário de substância entorpecente, catando lixo na praia. É uma das possibilidades de prestação de serviço. Durante cinco meses, ele vai trabalhar uma vez por semana durante uma ou duas horas. Se não prestar, será multado e, toda vez que for surpreendido, vai ser conduzido à delegacia, conduzido ao juiz. Ou seja, não vai ser fácil a vida de quem quiser transgredir a lei e nós vamos exercer com rigor aquilo que a lei determina”, disse Witzel.
O governador explicou a série de procedimentos previstos antes do cumprimento da pena. Uma vez identificado com a droga, o usuário será conduzido a uma delegacia, onde será fichado, cadastrado e terá marcada uma audiência com o juiz.
“O juiz de direito, no Juizado Especial Criminal, vai fazer uma advertência para ele não usar mais a substância entorpecente e oferecer ajuda para tratamento em alguma clínica especializada. Além disso, vai impor a esse infrator a prestação de serviço à comunidade”, disse Witzel.
Além da questão da guerra às drogas, Witzel aborda outros temas durante a entrevista. Com relação à segurança, ele destaca o investimento feito na Polícia Civil, anuncia que pretende contratar 12 mil novos policiais até o fim do mandato e volta a defender o assassinato de suspeitos que portem fuzis.
“Alguém de fuzil é uma ameaça iminente, tem que ser abatido, não adianta você perguntar 'larga o fuzil'. Não vai largar. Então, tem que matar”, diz. Em outro trecho, ele manda um recado ainda mais direto. “Não sai de fuzil na rua, não. Troca por uma bíblia. Porque, se você sair, nós vamos te matar”.
Por outro lado, o governador voltou a negar que defenda a pena de morte e se vale de dados científicos para argumentar nesse sentido.
“Eu fiz uma pesquisa na faculdade ainda sob pena de morte e, em vários países e estados que tinham pena de morte, a criminalidade não reduziu. O que impõe medo ao criminoso é a certeza de que ele vai ser punido.”
Provocado com relação às eleições de 2022, Witzel não escondeu suas intenções:
“Meu desejo é ser presidente da república. De preferência, sucedendo o presidente Jair Bolsonaro.”
A entrevista de Witzel à Antônia foi publicada no canal do Youtube “Na Lata com Antonia Fontenelle”.
Até 17h desta terça-feira (6), o vídeo tinha mais de 29 mil visualizações, cerca de 604 comentários e mais de 6 mil avaliações positivas. A entrevista, na íntegra, pode ser acessada no link https://www.youtube.com/watch?v=9DrsvVfn94A