Casal que dava golpe usando o nome de instituições de caridade é preso

Organização criminosa enganava possíveis doadores de dinheiro

Enviado Direto da Redação

Por Thuany Dossares

Acusados de se passarem por membros de instituições de caridade para conseguir dinheiro de doadores, Maria de Castro Gonçalves, de 58 anos, e André Luiz Marreiros dos Anjos, de 42, foram presos em flagrante na terça-feira (9), por policiais da 77ªDP (Icaraí). Eles irão responder por estelionato e associação criminosa.

As investigações começaram há cerca de um mês e, segundo a delegada Raíssa Celles, o casal usava da boa fé das pessoas para conseguir um dinheiro, que as vítimas acreditavam que seriam doados para instituições carentes. Pelo menos 400 pessoas foram vítimas desse golpe.

“A Márcia já trabalhou em um telemarketing de recolhimento de doações, mas depois saiu desse trabalho e foi procurada por uma pessoa que a chamou para participar dessa organização criminosa e continuar o trabalho que fazia, mas agora de forma ilegal. Ela usava o nome de instituições já existentes e conceituadas para angariar as doações. A Márcia usava uma rede de contatos, ligava para essas pessoas de sua casa, em São Gonçalo, e depois mandava o André Luiz ir buscar esse dinheiro na casa da pessoa. Mas esses valores não eram repassados para nenhuma instituição”, explicou a delegada.

A primeira vítima a comunicar o crime foi a presidente da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Niterói, Sônia Maria Saraiva dos Anjos. Ela descobriu a ação, quando uma pessoa que já costumava doar para a entidade falou com ela ao telefone que um rapaz da Apae iria em sua casa buscar o dinheiro para a doação.

“São pessoas inescrupulosas que usam o nome da instituição para angariar fundos que não eram dirigidos a nossa instituição. Assim que eu fiquei sabendo vim até a delegacia para registrar uma queixa. As pessoas que eram de meu relacionamento, e eu sabia que contribuem com a Apae, eu ia avisando que tinha gente fazendo isso. Nós temos serviço de telemarketing sim, mas as doações são feitas em forma de depósito bancário. É revoltante, decepcionante, saber que o ser humano chega a esse ponto, de prejudicar outras pessoas, prejudicar a Apae e outras instituições que ajudam os outros. É abusar da boa índole, agir de má fé”, disse Sônia Maria.

A delegacia já apurou que a quadrilha é composta por pelo menos mais duas pessoas, que já foram identificadas e terão suas prisões solicitadas à justiça. O grupo usava o nome de entidades filantrópicas de Niterói, São Gonçalo e do Rio de Janeiro.

“Eles são bem organizados, tem divisão de tarefas, divisão de áreas de recebimento de doações. Faço um apelo para que quem tenha feito esse tipo de doação e entregado dinheiro para o André Luiz, que venha até a delegacia para fazer o reconhecimento formal”, solicitou Raíssa Celles.

Diretor da Creche Raiz de Davi, em São Gonçalo, outra instituição lesada, Paulo Evangelista dos Anjos pede que as pessoas não deixem de doar por causa desse tipo de ação criminosa.

“Peço que as pessoas nos procurem, procurem as outras instituições, que liguem, vejam nossas redes sociais, que visitem e conheçam o nosso trabalho. Nós precisamos muito da ajuda de todos, precisamos dessas doações para manter as casas e continuar ajudando o próximo”, finalizou.

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