Milícia de Itaboraí movimentava mais de R$ 500 mil por mês

A Polícia acredita ter conseguido desarticular a organização criminosa

Escrito por Redação 04/07/2019 18:26, atualizado em 04/07/2019 18:16
DHNISG e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público deflagraram a Operação Salvator nesta quinta (4)
DHNISG e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público deflagraram a Operação Salvator nesta quinta (4) . Foto: Divulgação


R$ 500 mil. Esse era o valor movimentado mensalmente pela milícia que atua no município de Itaboraí, segundo a Divisão de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo (DHNISG). De acordo com as investigações, a organização criminosa é responsável por mais de 50 assassinatos e desaparecimentos na cidade desde o início de 2018. 


Na manhã desta quinta-feira (04), a DHNISG e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público deflagraram a Operação Salvator, com o objetivo de desarticular o grupo paramilitar, que é composto por, pelo menos, 74 criminosos, incluindo mais de dez mulheres. Durante a ação, foram cumpridos mandados de prisão contra 42 pessoas, mas dessas, 25 já encontravam-se no sistema prisional. 


"Identificamos, inicialmente, uma migração de milicianos expressivos do Rio de Janeiro para Itaboraí, numa espécie de franquia, com características bem violentas. Identificamos que eles são bem agressivos, praticam diversos homicídios como uma forma de limpar a área, matando criminosos rivais, que eram, principalmente, traficantes. Acreditamos que conseguimos desarticular a organização. Há, ainda, elementos perigosos foragidos e pedimos que a população confie no Estado e noticie crimes praticados por esse grupo, procurando as forças de segurança", explicou o promotor do Gaeco, Romulo Santos Silva.


O principal alvo da Salvator era o ex policial militar Alexandre Loback Geminiani, conhecido também como Playboy. Ele é apontado como a principal liderança da milícia ainda em liberdade. Os agentes foram até o seu condomínio na tentativa de capturá-lo, mas para fugir da polícia, Loback pulou da varanda de seu apartamento, no quarto andar, e encontra-se foragido. A companheira do ex-PM também foi identificada como integrante da quadrilha e foi presa. 


Ainda segundo as investigações, Loback seria o responsável por coordenar as ações do restante do grupo, como ordenar cobranças de extorsão, contratar criminosos. Ele é acusado também de participar efetivamente dos diversos homicídios e desaparecimentos cometidos pelo grupo paramilitar. 


Extorsão


Além de torturar, executar e ocultar os cadáveres de seus desafetos, o grupo paramilitar que atua em Itaboraí também praticava diversos crimes de extorsão. De acordo com a apuração policial, a quadrilha exigia um pagamento indevido por um serviço de segurança à moradores e comerciantes de diversos bairros de Itaboraí. Os milicianos ainda realizavam cobranças sobre a venda de gás, água, e de serviços de mototaxistas. 


Na ação, foram cumpridos 93 mandados de busca e apreensão. Os mandados também foram cumpridos dentro das celas dos milicianos que já estavam presos e materiais de contabilidade da quadrilha foram apreendidos. 

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