Moradores do Porto Velho se reúnem para orar por vítimas de chacina
Líderes de todas as religiões estiveram presentes

Por Renata Sena e Rafaela Batista
Amigos e familiares dos mortos e feridos na chacina do Porto Velho, no último dia 26 de maio, se reuniram, na manhã a deste domingo (2), no Campo da Brahma, para realizar uma oração pelo bairro.
Cerca de 200 pessoas, vestidas de roupas claras e segurando balões brancos, estiveram presentes na solenidade religiosa, que contou com a presença de líderes de todas as religiões.
Das setes vítimas feridas, duas ainda estão internadas e cinco delas, que também foram baleadas, estiveram presentes na oração, mas preferiram não falar com a imprensa.
O militar Denil Lima, de 56 anos, amigo das vítimas, foi o responsável por organizar o ato e informou que o pedido é de paz para o bairro. "Porto Velho não pode ficar assim. Estamos pedindo que isso não se repita", disse
Além disso, ele contou como está difícil seguir sem os amigos. "A gente se reunia há mais de trinta anos todos os domingos para jogar futebol. Depois a gente fazia aquela confraternização. Sem eles não temos como prosseguir. Acreditamos que os encontros chegaram ao fim", lamentou.
Além da oração, uma cruz foi colocada no lugar onde as pessoas foram assassinadas e as bolas brancas foram soltas no ar.
No entanto, uma forte chuva atrapalhou o fim da cerimônia e dispersou a população antes do encerramento do ato.
Recordando- No último domingo (26) quatro pessoas foram mortas e sete baleadas por ocupantes de um Hyundai HB20 preto, que atiraram contra um grupo de amigos que estava no 'Bar do Jacaré', na Comunidade do Campo da Brahma, no Porto Velho, em São Gonçalo, assistindo a um jogo de futebol na TV.
De acordo com as investigações iniciais dos policiais da Divisão de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo (DHNISG), essa chacina teria acontecido por causa de briga de território entre traficantes e milicianos.
A delegada da especializada, Bárbara Lomba, conta que não descarta nenhuma linha de investigação sobre o caso.
"Nenhuma linha de investigação está descartada, mas um fato que chamou a nossa atenção foi que os criminosos não demonstraram a mínima preocupação com anonimato, já que não usaram capuz, balaclava, boné ou qualquer outro acessório que fizesse com que não fossem reconhecidos", afirmou.
As vítimas da chacina tinham idades entre 41 e 60 anos, e, moravam no bairro há mais de 30 anos. Nenhum dos mortos possuía anotações criminais ou tinham indícios de envolvimento com crimes.