Operação 'Shark Attack' desarticula esquema de lavagem de dinheiro no Rio
Ação faz parte da primeira fase de investigação e cinco acusados já foram presos

Policiais civis da 19ªDP (Tijuca) realizaram uma operação, na manhã deste sábado (25), para desarticular um esquema de lavagem de dinheiro de traficantes do Rio de Janeiro, em especial do Morro do Borel, na Tijuca, Zona Norte do Rio. A investigação teve início a partir de depósitos bancários em dinheiro cujas notas tinham cheiro de maconha impregnado. Ao todo, foram expedidos pela Justiça oito mandados de prisão e outros seis de busca e apreensão.
Até o fim da tarde de ontem, cinco haviam sido presos. A ação, batizada de “Shark Attack”, também aconteceu em outros três estados com apoio das polícias locais. Além da capital do Rio de janeiro, houve mandados de prisão e busca e apreensão sendo cumpridos em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, e em Curitiba, capital do Paraná.
A investigação começou a partir da tentativa de depositar R$ 99.600 em um caixa eletrônico de uma agência bancária da Tijuca, no dia 28 de janeiro deste ano. O cheiro de maconha no dinheiro despertou a atenção de pessoas próximas, que acionaram a PM. Na época, Jorge Lucindo da Silva, o Tubarão e seu amigo João Victor foram levados para a delegacia, prestaram depoimento e foram liberados. Hoje, ele é considerado foragido. Outro procurado é o gerente do tráfico de drogas do Morro do Borel, o traficante Alexandre Barreto Ferreira, o Galego. Ele faz parte do esquema, segundo os investigadores.
A partir deste dia, iniciou-se uma investigação para rastrear o caminho do dinheiro. A polícia descobriu um esquema milionário de venda de drogas sendo lavado em empresas fantasmas ou fictícias em outros estados. Além de alguns traficantes, os laranjas do esquema estão entre os alvos da operação deste sábado.
“Esta é uma primeira fase de uma operação que começou há três meses e tem como objetivo atacar o esquema financeiro das quadrilhas. Do Morro do Borel, descobrimos um esquema grande envolvendo empresas fictícias em outros estados”, explicou a delegada Cristiana Bento, titular da 19ªDP (Tijuca). Uma das empresas que mais receberam depósitos foi a Hexxa Shows. De acordo com o Relatório de Inteligência Financeira (RIF) enviado à polícia, foram ao menos 38 depósitos suspeitos feitos entre outubro de 2018 e 19 de março de 2019, com valores entre R$ 50 mil e R$ 85 mil, totalizando mais de 2 milhões de reais.