Polícia Civil faz megaoperação contra desvio de dinheiro da saúde pública

Serão cumpridos oito mandados de prisão

Enviado Direto da Redação

A Polícia Civil realiza a 'Operação Pégaso' na manhã desta segunda-feira (15), que tem por objetivo cumprir oito mandados de prisão e quatorze de busca e apreensão. Os investigadores descobriram a atuação de uma organização criminosa responsável por um grande esquema interestadual de lavagem de dinheiro, oriundo de recursos desviados da saúde pública de pelo menos quatro cidades do interior do estado de São Paulo e que foram investidos na compra da operadora de Planos de Saúde Medical Rio, empresa com abrangência nacional sediada na cidade de Niterói.

A ação aconteceu por resultado das investigações desenvolvidas pela 78ª DP (Fonseca) e contou com apoio de mais de sessenta agentes das delegacias de Resende (89ª DP), Centro (76ª DP), Icaraí (77ª DP), Jurujuba (79ª DP), Itaipu (81ª DP) e de Policiais Civis paulistas do Departamento de Capturas e Delegacias Especializadas (Decade) e da Seccional de São José dos Campos. Ela foi desencadeada em Niterói e nas cidades paulistas de São José dos Campos, Mairiporã, Jandira, Jundiaí, Osasco e na capital paulista.

Na primeira fase da Operação Pégaso, que aconteceu na última semana, uma ação conjunta dos policiais civis da 78ª DP (Fonseca) e da seccional de São José dos Campos prendeu o Patologista Clínico Luiz Teixeira da Silva Junior, de 39 anos, e sua esposa Liliane Bernardo Rios da Silva, 37. Segundo a polícia, o casal estava hospedado em um luxuoso apart hotel na cidade de São José dos Campos, no interior paulista. Ambos eram procurados pela Polícia Federal, acusados de desvios de mais de 20 milhões de reais da saúde pública dos municípios de Cajamar, São Roque, Barueri e Campo Limpo, todos no interior do estado de São Paulo.

Ainda de acordo com as investigações da delegacia do Fonseca, Luiz e Liliane utilizaram a Federação Nacional das Entidades Sociais e Comunitárias (Fenaesc), uma organização social que administrava diversos hospitais no interior paulista - onde o casal ocupava cargos de direção - para desviar a quantia milionária que foi investida na compra da Operadora de Planos de Saúde em Niterói. Os agentes descobriram que para ocultar a real titularidade da transação financeira o casal utilizou a empregada doméstica e o motorista da família como laranjas.

Através de modernas técnicas de investigação, os policiais da delegacia do Fonseca descobriram também que, Luiz fazia constantes retiradas de dinheiro da empresa Medical Rio utilizando emissão de notas fiscais frias de prestação de serviços, em benefício da empresa de fachada Pratice Administradora de Cartões LTDA, sediada em Mairiporã, no endereço da associação comercial da cidade. Tais operações fictícias tinham como propósito promover o retorno do dinheiro para o acysadi, distanciando-o da origem criminosa.

Na ação que aconteceu hoje, Andreia de Lima Pereira, 48, diretora financeira da Medical Rio, foi presa em um prédio de alto padrão em Icaraí, bairro nobre da cidade de Niterói. Em Itaipu, na mesma cidade, os policiais prenderam a gerente comercial da empresa, Ana Claudia de Assis Toledo, 46. 

Em São Paulo foram presos Carlos Celestino Pacheco da Silva, ex-funcionário da Agencia Nacional de Saúde (ANS), preso em Jundiaí; o bacharel em medicina Marcos da Silva Barros, 44, preso em Mairiporã; o casal Douglas Fernando de Moura Silva, 29, e Tamires Silva Costa de Moura, 29, em Osasco, e Maria Ires da Costa Alves, 33 foi presa a mansão do casal Luiz e Liliane, no bairro Morumbi.  Maria Ires, que trabalha como  empregada doméstica do casal Luis e Liliane, e Douglas, o motorista da família, figuravam como proprietários da Medical Rio e ganhavam um pró-labore para servirem de laranjas na empresa.

Os agentes fazem ainda o levantamento do patrimônio dos envolvidos no esquema criminoso para identificar os bens adquiridos com dinheiro de origem ilícita e embasar posterior sequestro judicial dos recursos.

Veja também