Desabamento reabre debate sobre ocupações em São Gonçalo

Local conhecido como ‘prédios invadidos’ na Avenida Maricá, em SG, ainda traz preocupação

Enviado Direto da Redação
Como forma de resistência e protesto, os sem teto criaram a “Cozinha Comunitária São Gonçalo Sem Medo”

Como forma de resistência e protesto, os sem teto criaram a “Cozinha Comunitária São Gonçalo Sem Medo”

Foto: Filipe Aguiar

Até o fim da tarde de sábado (13), o Corpo de Bombeiros havia elevado para 17 o número de possíveis desaparecidos nos desabamentos de sexta-feira, na Muzema, na zona oeste do Rio de Janeiro. Segundo o coordenador de operações Luciano Sarmento, que é coronel bombeiro, o número de desaparecidos varia porque depende de uma investigação junto a familiares e vizinhos.


“Mais de 100 bombeiros e agentes da defesa civil seguem trabalhando no resgate, que conta com a ajuda de cães farejadores e equipamentos específicos para o salvamento em estruturas colapsadas”, declarou Luciano Sarmento.


Ao todo, cinco corpos foram retirados dos escombros e dois dos dez resgatados com vida morreram em unidades de saúde. Entre os 17 desaparecidos, é provável que haja crianças, segundo o coronel, que não especificou o número. O incidente ocorrido na zona oeste do Rio, porém, traz de volta ao debate a falta de políticas públicas para resolver problema de falta de moradias, cujas responsabilidades cabem aos governos federal, estadual e municipal. Há exatamente um ano, O São Gonçalo divulgou a situação de edificações irregulares ocupadas por famílias em alguns bairros de São Gonçalo.


De acordo com o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), em novembro de 2014, foram cadastradas cerca de 1 mil pessoas que necessitavam de habitação. Na época, parte dessas pessoas chegou a ocupar um terreno de 60 mil metros quadrados no bairro Santa Luzia, em São Gonçalo. Após acordo com a gestão municipal, a área foi desocupada, mas até hoje o grupo aguarda pelas moradias prometidas. Como forma de resistência e protesto, os sem teto criaram a “Cozinha Comunitária São Gonçalo Sem Medo”, na Associação de Moradores de Santa Luzia.

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